Israel está promovendo um “massacre” contra palestinos, diz embaixador

Foram registrados ao menos 55 mortos no confronto entre Israel e o grupo islâmico Hamas; 49 vítimas são palestinas

atualizado 12/05/2021 16:27

O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, afirmou, nesta quarta-feira (12/5), em entrevista ao Metrópoles, que o conflito entre Israel e o grupo islâmico Hamas trata-se, na realidade, de um “massacre”.

“Isso não é uma disputa ou uma guerra, é uma agressão. Israel está assassinando moradores de todas as partes do território palestino. Estão fazendo uma limpeza étnica”, afirmou Ibrahim, ao enfatizar o que chama de “desproporção” entre os ataques dos dois lados.

“Não podemos dizer que isso é uma guerra entre Hamas e Israel. É um massacre o que Israel está cometendo, com todo o seu poderio militar”, prosseguiu o embaixador.

Jerusalém, Tel Aviv e a Faixa de Gaza voltaram a ser palco de um conflito sangrento desde domingo.

Até a tarde desta quarta-feira (12/5), horário de Brasília, ao menos 49 palestinos – entre eles 13 crianças – e seis israelenses morreram. Israel realizou também vários ataques aéreos na Faixa de Gaza, derrubando um prédio de 13 andares, e o Hamas disparou foguetes contra Tel Aviv.

Ibrahim diz que a Palestina irá convocar uma comissão independente para apurar potencial crime de guerra por parte de Israel.

O conflito se iniciou nas vésperas do Dia de Jerusalém. A parte oriental da capital está no centro da disputa. Israel defende que toda a cidade pertence ao país. Já os palestinos reivindicam a região como futura capital de um Estado independente.

“Nós já assinamos um acordo com Israel em 1993. Já faz 28 anos que estamos esperando que Israel cumpra esse acordo”, afirma o embaixador palestino.

O pacto citado pelo diplomata é o Acordo de Oslo, que foi assinado entre o então primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, o líder palestino Yasser Arafat e o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, no pátio da Casa Branca.

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Israel e Palestina acordaram que a maioria dos territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias a oeste do Rio Jordão seria devolvida aos palestinos.

“Israel ocupou a parte palestina e tratou de unificar os dois lados. A nossa capital é um território ocupado. Israel está dando as costas a tudo o que disse”, assinalou o embaixador.

“Nós consideramos que isso é uma agressão israelense premeditada contra a Palestina, que começou em Jerusalém, contra todo o povo palestino. Eles dizem que querem a paz, mas querem a paz do cemitério. A solução é clara: Israel tem de cumprir o direito internacional; são dois Estados para dois povos”, prosseguiu.

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