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A Agência Nacional de Informação (ANI) relatou ataques de drones israelenses em ao menos três localidades do sul do Líbano nesta quinta-feira (4/6). Pelo menos um dos bombardeios teria deixado vítimas.
Segundo a ANI, um socorrista foi morto durante a noite e outro ficou ferido em um novo ataque em Zebdine, no distrito de Nabatieh, elevando para pelo menos 130 o número de socorristas e profissionais de saúde mortos desde o início da guerra.
Os ataques ocorreram horas após o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Líbano anunciado na noite dessa quarta-feira (3/6), ao final de dois dias de negociações em Washington, conduzidas sob a mediação dos Estados Unidos.
Horas antes dos ataques, o exército israelense anunciou que “a entrada de uma aeronave hostil” acionou o alerta aéreo em um vilarejo no norte de Israel, perto da fronteira com o Líbano.
Acordo de cessar-fogo
Israel e Líbano concordaram com a implementação de um cessar-fogo condicionado à suspensão total dos disparos do Hezbollah. O movimento xiita libanês pró-iraniano também deve “retirar” todos os seus membros da área ao sul do rio Litani, que fica a cerca de 30 quilômetros da fronteira com Israel.
Os dois países, que não mantêm relações diplomáticas, concordaram ainda em “avançar rapidamente na criação de zonas piloto” que ficarão sob o controle “exclusivo” das Forças Armadas Libanesas. Essa foi a quarta vez que delegações dos dois países se reuniram em Washington para negociações diretas.
Israel e o Líbano aceitaram participar de uma nova rodada de negociações na semana de 22 de junho com vistas a um “acordo global”, acrescentou a declaração final.
Ministro israelense critica acordo
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, figura da extrema direita, classificou nesta quinta-feira o acordo como um “grave erro”. “O cessar-fogo com o Líbano é um grave erro e uma ilusão de conselheiros que estão levando o primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] a tomar decisões equivocadas”, escreveu o ministro na rede X.
Logo depois, o ministro da Defesa, Israel Katz, alertou que o exército israelenses irá “continuar os disparos e operações militares” no sul do Líbano. Na terça-feira (2/6), Mahmoud Qomati, alto dirigente do Hezbollah, havia antecipado que o grupo xiita libanês não aceitaria um “cessar-fogo parcial” com Israel.
Em tese, um acordo de cessar-fogo está em vigor no Líbano desde 17 de abril, mas é sistematicamente desrespeitado tanto por Israel quanto pelo Hezbollah. As duas partes realizam ataques em ritmo quase diário e se acusam mutuamente de violar a trégua.
Na quarta, bombardeios israelenses deixaram ao menos 10 mortos no Líbano. Após novos ataques contra Israel reivindicados pelo Hezbollah, o exército israelense ameaçou atacar o subúrbio sul de Beirute em caso de agressão ao seu território.
Na madrugada desta quinta, o movimento pró-Irã declarou ter lançado foguetes contra o exército israelense em Al-Qantara, no sul do Líbano, além de ter atingido com dois drones um posto de comando israelense próximo ao castelo histórico de Chqif.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 600 pessoas foram mortas no Líbano desde 17 de abril — ou seja, desde quando um cessar-fogo havia sido implementado.
Os ataques israelenses deixaram 3.516 mortos desde 2 de março, início da guerra no Líbano, e deslocaram mais de um milhão de pessoas, segundo as autoridades. Do lado israelense, 26 soldados e um prestador de serviços civil foram mortos no Líbano.
Trump quer negociações separadas
Na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu em “separar” as discussões sobre o Líbano das relacionadas ao Irã. Teerã discorda. O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, alerta que qualquer ataque à capital libanesa provocaria “uma retomada em larga escala da guerra” na região.
O presidente Donald Trump declarou ainda que gostaria de “se encontrar” com o líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei. “Eu gostaria de encontrá-lo. Adoraria me encontrar com todo mundo e provavelmente iremos nos encontrar, dependendo do que acontecer”, afirmou em entrevista ao site do New York Post, nessa quarta.
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