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O exército israelense anunciou neste domingo (31/5) ter capturado a icônica fortaleza medieval de Beaufort, no sul do Líbano, onde instalou sua bandeira. O avanço marca uma nova etapa da ofensiva terrestre de Israel no país vizinho, onde afirma estar determinado a “esmagar” o grupo Hezbollah, aliado do Irã.
O local é considerado estratégico para a defesa dos assentamentos da Galileia, no norte de Israel, e abre caminho para o avanço em direção à região de Nabatieh.
“Quarenta e quatro anos após a heroica Batalha de Beaufort e neste dia em memória dos soldados que tombaram na Primeira Guerra do Líbano (1982)”, os soldados “retornaram ao topo de Beaufort e hastearam novamente a bandeira israelense”, celebrou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
“Estamos todos determinados a esmagar o poder do Hezbollah e cumprir a missão: garantir a segurança dos habitantes do norte de Israel”, complementou o ministro.
Por duas décadas, as forças israelenses utilizaram Beaufort como base durante a ocupação do sul do Líbano, que terminou em 2000.
“Política da terra arrasada”
Neste domingo, Israel ordenou a evacuação da população de uma grande área desta mesma região, entre sua fronteira e o rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte. No sábado, (30/5), o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, havia acusado Tel Aviv de adotar uma “política de terra arrasada” em seu país.
Em um pronunciamento na TV, Salam declarou que a “punição coletiva” dos libaneses adotada pelo país vizinho “não lhe trará segurança nem estabilidade”. Ainda assim, ele defendeu a continuidade das negociações diretas com Israel, iniciadas em abril para resolver o conflito e rejeitadas pelo Hezbollah, considerando-as “o caminho menos custoso” para o Líbano.
Desde o início da guerra, em 2 de março, mais de 3.371 pessoas foram mortas e mais de um milhão foram deslocadas, segundo as autoridades libanesas. O exército israelense, por sua vez, anunciou a morte de um soldado no sábado por um ataque de drone atribuído ao Hezbollah, elevando para 25 o número de israelenses mortos no Líbano.
O Hezbollah reivindicou novos ataques com foguetes contra o norte de Israel e afirmou estar empenhado em combates para impedir o avanço das tropas israelenses, particularmente na região de Nabatieh.
Futuro das negociações
O avanço israelense ocorre em meio a negociações entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio, com Teerã condicionando qualquer acordo ao fim das hostilidades no Líbano.
Uma nova rodada de negociações entre Beirute e Tel Aviv, que não mantêm relações diplomáticas, está agendada para os dias 2 e 3 de junho, em Washington. Uma reunião em nível militar foi realizada na sexta-feira no Pentágono, durante a qual o Líbano não conseguiu garantir um cessar-fogo efetivo, teoricamente em vigor desde 17 de abril, mas que não está sendo respeitado.