Israel adere ao “Conselho da Paz” de Trump; China evita e defende ONU

Conselho da Paz foi concebido originalmente como um órgão encarregado de supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Joe Raedle/Getty Images
Imagem colorida do presidente dos EUA Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel
1 de 1 Imagem colorida do presidente dos EUA Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel - Foto: Joe Raedle/Getty Images

O primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aceitou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o chamado “Conselho da Paz”, anunciou nesta quarta‑feira (21/1) o gabinete israelense. A China, por sua vez, declarou que continua a defender um sistema internacional com as Nações Unidas “no centro”.

Criado por iniciativa de Trump, o Conselho da Paz foi concebido originalmente como um órgão encarregado de supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre Israel e o movimento islâmico palestino Hamas. No entanto, a minuta da “carta” apresentada pelo presidente americano amplia significativamente o escopo do órgão, conferindo-lhe um mandato global para contribuir na resolução de conflitos armados em diversas regiões do mundo – e reservando ao próprio Trump amplos poderes como presidente do conselho.

A criação do órgão foi endossada pelo Conselho de Segurança da ONU, mas “estritamente para esse fim”, reiterou na segunda‑feira o porta‑voz do secretário‑geral das Nações Unidas, Farhan Haq, referindo‑se à reconstrução de Gaza.

Além de Netanyahu, outros líderes já aceitaram o convite de Trump. Entre eles, o rei Mohammed VI do Marrocos, que participará como “membro fundador”, segundo o Ministério das Relações Exteriores marroquino, e o xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos.

O primeiro‑ministro húngaro, Viktor Orbán, também confirmou no domingo sua adesão como “membro fundador”.

Na Armênia, o premiê Nikol Pashinyan anunciou na terça‑feira, por meio de sua página no Facebook, que também aceitou o convite americano.

Posição da China

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, recusou-se novamente a dizer se o país aceitaria o convite dos Estados Unidos, afirmando apenas, durante sua coletiva de imprensa diária, que “independentemente das mudanças na situação internacional, Pequim defende firmemente o sistema internacional com as Nações Unidas em seu centro, a ordem internacional baseada no direito internacional e as regras básicas das relações internacionais fundamentadas nos propósitos e princípios da Carta da ONU”.

A China, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, tradicionalmente defende o sistema das Nações Unidas, ao mesmo tempo que apoia reformas.

“O Conselho da Paz é uma organização internacional que visa promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legítima e garantir a paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos”, de acordo com o preâmbulo do texto enviado pelos Estados Unidos aos países “convidados” a participar.

O documento de oito páginas critica “abordagens e instituições que falharam com muita frequência”, numa clara alusão à ONU, e faz um apelo à “coragem” de “romper” com ela. Enfatiza “a necessidade de uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz”.

Taxa de adesão

Donald Trump será o “primeiro presidente do Conselho da Paz”, cujos poderes planejados são amplos: somente ele está autorizado a “convidar” outros chefes de Estado e de governo a participar e pode revogar a participação deles, exceto em caso de “veto por maioria de dois terços dos Estados-membros”.

O conselho executivo, presidido por Trump, terá sete membros, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Um funcionário americano confirmou, sob condição de anonimato, que Trump poderá manter a presidência mesmo após o término de seu mandato, até que “renuncie”, cabendo ao próximo presidente dos EUA nomear um representante.

“Cada Estado-membro cumprirá um mandato de, no máximo, três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplica aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão para o Conselho da Paz durante o primeiro ano após a entrada em vigor da Carta”, acrescenta o documento, sem fornecer mais detalhes.

O funcionário americano indicou, contudo, que a adesão é voluntária e que não há taxa de adesão ao conselho.

Leia mais reportagens como esta na RFI, parceira do Metrópoles.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?