Rússia adota cautela e cobra detalhes sobre Conselho da Paz em Gaza
Porta-voz da Rússia afirma que ainda não conhece os detalhes da iniciativa liderada pelos EUA e aguarda respostas antes de decidir adesão
atualizado
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A Rússia afirmou nesta terça-feira (20/1) que ainda não conhece todos os detalhes da iniciativa dos Estados Unidos para a criação de um Conselho da Paz destinado a supervisionar a reconstrução e a governança da Faixa de Gaza.
Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, Moscou considera “prematuro” qualquer posicionamento definitivo e espera obter esclarecimentos durante reuniões com autoridades norte-americanas.
“É prematuro afirmar isso”, disse Peskov, ao ser questionado sobre a possível participação da Rússia e Bielorrússia no conselho.
Tanto Moscou quanto Minsk, capital da Bielorrússia, receberam convites formais dos Estados Unidos para integrar o órgão, mas, segundo o Kremlin, ainda há dúvidas centrais sobre o escopo da proposta.
“Ainda não conhecemos todos os detalhes da iniciativa neste conselho, se ela se refere apenas a Gaza ou se abrange um contexto mais amplo”, afirmou. “Há muitas perguntas sobre essa iniciativa até o momento, e esperamos receber respostas durante os contatos com os norte-americanos.”
Conselho da Paz de Trump
- O Conselho da Paz é considerado uma peça central do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar o conflito em Gaza.
- A iniciativa foi dividida em duas fases. A primeira previu a libertação de reféns israelenses, a retirada parcial das tropas de Israel, o desarmamento de grupos armados palestinos e a criação de uma administração externa interina no território.
- O acordo da primeira fase foi firmado em outubro de 2025 e posteriormente aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, em novembro do mesmo ano.
- Líderes de diversos países foram convidados pelo governo dos Estados Unidos a integrar o conselho.
- A expectativa é de que o órgão inicie seus trabalhos na segunda fase do plano de paz para Gaza, acordado em outubro de 2025 entre Israel e o grupo palestino Hamas, com mediação do Egito, Catar, dos Estados Unidos e da Turquia.
Nessa segunda-feira (19/1), Peskov confirmou oficialmente que Putin recebeu, por canais diplomáticos, um convite para participar do Conselho da Paz. Segundo ele, o governo russo analisa a proposta, mas condiciona qualquer decisão à apresentação de informações mais detalhadas por parte de Washington.
Recentemente, Washington anunciou o início da segunda fase do plano, que inclui a criação de estruturas permanentes de governança em Gaza, entre elas o Conselho da Paz.
Conforme a Casa Branca, o órgão será presidido por Trump e contará com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff; o empresário e genro do presidente, Jared Kushner; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; o investidor Mark Rowan; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e o vice-conselheiro de segurança nacional Robert Gabriel.






