Hezbollah acusa Israel de violar cessar-fogo após ataque ao Líbano
Hezbollah classificou o ataque israelense ao Líbano como uma violação direta do cessar-fogo

Dois civis morreram nesta terça-feira (23/6) após disparos efetuados por tropas israelenses no sul do Líbano, segundo informações divulgadas pela Defesa Civil e pelo Ministério da Saúde libaneses.
O episódio elevou a tensão na região e levou o Hezbollah a acusar Israel de descumprir o acordo de cessar-fogo que vem sustentando uma das mais longas pausas nos combates desde o início da guerra.
De acordo com autoridades locais, os tiros foram disparados contra um grupo de pessoas que estava próximo a uma escavadeira utilizada para a limpeza de uma estrada no bairro de al-Deir, na localidade de Nabatieh al-Fawqa.
A agência estatal de notícias libanesa NNA informou que as vítimas estavam na área quando foram atingidas pelos disparos.
As mortes registradas nesta terça-feira foram as primeiras no Líbano desde domingo (21/6), em meio a uma trégua considerada a mais duradoura desde o agravamento do conflito regional.
Hezbollah afirma violação do acordo
Em comunicado, o Hezbollah afirmou que os dois mortos eram civis e classificou a ação israelense como uma violação direta do cessar-fogo. Apesar das acusações, o grupo apoiado pelo Irã não informou se pretende adotar medidas de retaliação.
O episódio ocorre em um momento delicado para a estabilidade da região, enquanto mediadores internacionais tentam preservar os entendimentos firmados para evitar uma escalada ainda maior dos confrontos.
Irã alerta para impactos nas negociações
O embaixador iraniano junto à Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, Ali Bahreini, afirmou que qualquer descumprimento dos termos do acordo no território libanês pode comprometer os esforços diplomáticos em andamento.
Segundo o diplomata, os acontecimentos no Líbano têm impacto direto sobre todo o processo de negociação e exigem uma atuação mais firme dos Estados Unidos.
“O Líbano é uma parte inquestionável do acordo e tudo o que acontece no país afeta todo o processo. Cabe aos Estados Unidos usarem toda a sua influência sobre Israel para interromper os ataques contra o Líbano”, declarou Bahreini a jornalistas.
Netanyahu defende presença militar
Nessa segunda-feira (22/6), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas israelenses mantêm liberdade total para agir diante de qualquer ameaça considerada iminente por parte do Hezbollah.
Segundo Netanyahu, as forças israelenses permanecerão em território libanês pelo tempo que julgarem necessário para garantir a segurança de seus militares e da população israelense.
A declaração foi um sinal de que Israel pretende manter sua postura militar ativa na fronteira, apesar dos acordos de cessar-fogo e das pressões internacionais por uma redução das hostilidades.


