Futuro de palestinos segue incerto apesar de desarmamento do Hamas
Avanço do acordo de paz depende não só do desarmamento do Hamas, mas também da retirada de militares de Israel da Faixa de Gaza

O futuro dos mais de 2 milhões de palestinos que vivem na Faixa de Gaza segue incerto, apesar de o acordo entre Israel e Hamas ter avançado nesta semana após o grupo palestino e outras facções concordarem com o desarmamento.
A desmilitarização da organização palestina faz parte da segunda fase do pacto de paz mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025, que também inclui obrigações para o lado israelense.
Nos últimos meses, a deposição de armas por parte do grupo palestino e de outras facções vinha sendo um dos principais obstáculos nas negociações. Mesmo aceitando dissolver seu governo em Gaza e, com isso, abrir espaço para uma administração transitória civil, o Hamas relutava em aceitar o próprio desarmamento.
A situação, no entanto, mudou após longas rodadas de negociações mediadas pelos EUA, Egito, Catar e Turquia.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDados da ONU sobre a crise em Gaza desde 2023
- 73.335 mil palestinos mortos, sendo 21.283 mil crianças;
- 174.283 mil palestinos feridos;
- 1,4 milhão de pessoas (ou 67% da população) enfrentando insegurança alimentar;
- 1,9 milhão de pessoas correndo risco de conviver com insegurança alimentar aguda até dezembro de 2026;
- 3 mil crianças internadas por desnutrição somente em junho deste ano;
- 77% da malha viária da Faixa de Gaza destruída;
- 90% da infraestrutura energética destruída.
Condições do acordo
A implementação da segunda fase do acordo, contudo, não depende apenas do Hamas. Conforme previsto no texto do tratado de paz, a desmilitarização do grupo palestino está condicionado à retirada das tropas de Israel da Faixa de Gaza.
Em conversa com o Metrópoles, um porta-voz do grupo palestino baseado na Jordânia afirmou que o Hamas teme que o governo de Benjamin Netanyahu não cumpra a exigência e mantenha tropas das Forças de Defesa de Israel (FDI) no território palestino.
Segundo Khaled Qaddoumi, a administração israelense descumpriu diversos pontos do acordo assinado há cerca de nove meses. Um dos exemplos é a continuidade dos bombardeios das FDI em Gaza, mesmo com o cessar-fogo. Mais de 1,2 mil pessoas morreram no enclave, desde outubro de 2025.
Mesmo com registros de baixas civis e da violação ao acordo de paz, Israel classifica as operações como uma maneira de garantir o seu objetivo declarado: destruir o Hamas.
“Nossa aprovação para encontrar uma solução para as armas pesadas foi iniciada por um consenso nacional entre diferentes facções palestinas, e a condição para isso é: pare de matar o novo povo, saia de Gaza, abre as fronteiras para alimentos, água e materiais de construção, permita que o comitê nacional exerça pleno poder local, e então o povo palestino chegará a um acordo que possa governar as armas e a paz entre nós”, declarou Qaddoumi.
Impasse do lado israelense
A possível retirada militar de Israel da Faixa de Gaza, defendem autoridades israelenses, só deve acontecer com a desmilitarização “genuína” do grupo palestino. Já alas mais conservadoras do atual governo de Israel afirmam que a proposta de Trump não é aceitável.
Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, foi adiante e pediu que os “assassinatos em Gaza devem continuar”. Segundo o político de 50 anos, conhecido por seu posicionamento favorável à ocupação israelense no território palestino, “parar os assassinatos dos assassinos da organização terrorista é equivalente a uma permissão para o Hamas se reorganizar”.
Os próximos passos do acordo de paz ainda são incertos, até mesmo, para diplomatas que acompanham o assunto de perto.
À reportagem, o embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril Burini, disse que o futuro do povo palestino depende da seriedade do Hamas e de Israel em cumprir a segunda fase do plano, ou de qualquer outra iniciativa que dê esperança para os palestinos.
“O que esperamos, no momento, é que as mortes de palestinos parem”, afirma o diplomata . “O problema na Faixa de Gaza sempre será a ocupação [israelense], mas se o Hamas se desarmar e Israel não retirar suas tropas, ou vice-versa, podemos ter de volta um ciclo de violência que afeta, principalmente, os inocentes”.
















