Hamas teme que governo Netanyahu descumpra acordo sobre desarmamento
Ao Metrópoles, porta-voz do Hamas confirmou que o grupo com o desarmamento, mas teme que governo Netanyahu não cumpra pontos do acordo

Mesmo após concordar com o desarmamento, o Hamas teme que o governo de Benjamin Netanyahu não cumpra os deveres de Israel no acordo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ao Metrópoles, o porta-voz Khaled Qaddoumi confirmou que o grupo aceitou se desarmar. Segundo ele, o futuro da Faixa de Gaza está nas mãos “de todas as partes que pediram ao Hamas para fazer o que fosse necessário”.
Entretanto, o grupo acusa Israel de não cumprir outros pontos do acordo de paz mediado pelos Estados Unidos em outubro do último ano. Entre eles, o fim dos bombardeios no território palestino. Por isso, teme que o governo Netanyahu não retire tropas das Forças de Defesa de Israel (FDI) do território palestino.
“Lamentavelmente, nem a administração americana, nem os mediadores, nem mesmo o conselho de paz fizeram o suficiente para pressionar o lado israelense a cumprir tais acordos internacionais, a fim de alcançar a paz e acabar com o genocídio contra nosso povo em Gaza”, disse Qaddoumi.
Até o momento o governo israelense ainda não se pronunciou oficialmente sobre o acordo para desarmar o Hamas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAinda assim, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, já se posicionou contra a proposta. Em um comunicado divulgado na rede social X, o político que faz parte da coalizão que tem sustentando o governo Netanyahu pediu que os “assassinatos em Gaza devem continuar”.
“Após o massacre de 7 de outubro, o sangue de todo homem do Hamas está na sua cabeça — e, portanto, um compromisso de parar os assassinatos dos assassinos da organização terrorista é equivalente a uma permissão para o Hamas se reorganizar para o próximo massacre”, disse o ministro, considerado um dos mais radicais do atual governo israelense.
Segundo Trump, o desarmamento do Hamas deve acontecer de maneira gradual. Israel, por sua vez, deve retirar militares de Gaza dando lugar à força Internacional de Estabilização, que cuidará da segurança do enclave durante o período de transição.
A deposição de armas por parte do grupo palestino, que invadiu o território israelense em 2023 dando início a guerra, e a saída de militares israelenses do enclave, fazem parte da segunda fase do plano de paz para a Faixa de Gaza.
Somente depois da implementação da segunda fase é que a terceira, e última etapa do acordo, passará a ser discutida. É nela que está prevista o início de uma administração transitória civil, e a reconstrução do enclave palestino.



