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O governo francês indicou nesta terça‑feira (26/5) sete mortes, incluindo pelo menos cinco afogamentos, ligadas à onda de calor que atinge a Europa nos últimos dias. Na véspera, mais de 225 localidades francesas bateram recordes de calor para um mês de maio.
“O que posso dizer hoje é que há sete mortes ligadas direta ou indiretamente ao calor”, declarou a porta‑voz do governo, Maud Bregeon, ao canal de televisão TF1 nesta terça-feira. Segundo ela, “tudo isso precisará ser detalhado ao fim do episódio que estamos vivendo hoje”.
O gabinete da porta‑voz detalhou que cinco vítimas se afogaram em diferentes regiões francesas. Uma pessoa morreu durante a prática de esportes em Paris e outra nas mesmas circunstâncias perto de Lyon, no centro-leste.
Na segunda‑feira (25/5), no oeste do país, foram registrados 34,7 °C em Bergerac, 33 °C em Brest, 32,4 °C em Rennes, 34,3 °C em Nantes e 34 °C em Angers, segundo a Météo‑France, agência nacional de meteorologia. No norte, também foram registrados 30,7 °C em Arras.
As temperaturas continuam aumentando no país nesta terça-feira. Oito departamentos do oeste da França entraram em alerta laranja para onda de calor, algo também inédito para o mês de maio. Nesta terça-feira, os termômetros devem registrar picos de até 36 °C no país, em um episódio que se estenderá até o fim de semana.
Em Paris, a temperatura ultrapassou os 33 °C nesta segunda‑feira nas quadras de tênis de Roland‑Garros. O norueguês Casper Ruud se viu obrigado a pedir atendimento médico no início do 4º set, antes de se classificar para a segunda rodada do torneio.
O calor excepcional lotou, nos últimos dias, as regiões turísticas e litorâneas. A situação preocupa as autoridades, já que muitas praias contarão com a vigilância de salva-vidas apenas a partir de 6 de julho.
Temperaturas tropicais
Da Inglaterra à Itália, parte da Europa vive uma onda de calor excepcional para um mês de maio. O fenômeno é causado pelo afluxo de ar quente vindo do norte da África, que fica retido sob a alta pressão de um poderoso anticiclone. Segundo cientistas, a mudança climática de origem humana torna os fenômenos meteorológicos extremos — como ondas de calor, secas e inundações — mais intensos.
Como consequência, os termômetros chegaram pela primeira vez a 34,8 °C em um mês de maio em Londres, superando em 2 °C o recorde anterior, que datava de 1944, bem acima dos 17 ou 18 °C considerados normais. A Irlanda também registrou temperaturas inéditas em maio, com 28,8 °C no sul.
Na Espanha, os serviços meteorológicos preveem “noites tropicais generalizadas” no sudoeste a partir de quarta‑feira (27) e máximas de 36 a 38 °C até sexta-feira (29).
Na Itália, na região do Lácio, que inclui Roma, foi adotada na segunda‑feira uma regulamentação que limita o trabalho “com exposição prolongada ao sol” entre 12h30 e 16h00. Em 2025, essa regra havia sido implementada para o período de 30 de maio a 15 de setembro.
As altas temperaturas são vividas com muita dificuldade por certas profissões. “Não estamos preparados, nem para receber os pacientes, nem para trabalhar nestas condições”, lamenta Katou Blaise, 57 anos, auxiliar de enfermagem no pronto‑socorro do hospital de Rennes, no noroeste da França.
“Estamos recebendo um número enorme de idosos em desidratação”, destacou ela, insistindo nas condições de trabalho ‘super complicadas’, e mencionando a falta de ventiladores no local.
Leia a reportagem completa em RFI, parceiro do Metrópoles.