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Europa busca influenciar discussões entre Rússia, Ucrânia e EUA

Russos e ucranianos negociam há várias semanas um plano de paz proposto pelos Estados Unidos para encerrar o pior conflito na Europa

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1 de 1 Imagem colorida de Volodymyr Zelensky e Emmanuel Macron - Metrópoles - Foto: Antoine Gyori – Corbis/Corbis via Getty Images

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, deve receber nesta segunda-feira (8/12) os documentos das negociações com os EUA sobre o plano de paz com a Rússia. Segundo o negociador ucraniano Roustem Oumerov, Zelensky será informado do avanço do diálogo com Donald Trump durante o dia.

Nos últimos encontros com representantes americanos, membros do governo ucraniano tentaram obter informações detalhadas sobre as discussões entre Washington e Moscou e ter acesso a todas as versões anteriores da proposta atual.

“Com todos os parceiros, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para pôr fim a esta guerra com dignidade”, escreveu Oumerov no Telegram.

Russos e ucranianos negociam há várias semanas um plano de paz proposto pelos Estados Unidos para encerrar o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

No sábado, Volodymyr Zelensky declarou ter tido uma conversa telefônica “longa e substancial” com Jared Kushner, genro do presidente americano, e Steve Witkoff, enviado especial de Donald Trump.

Questionado na noite de domingo, durante um jantar de gala em Washington, Trump criticou Zelensky por não ter “lido” seu plano para a Ucrânia.

“Falamos com o presidente Putin, falamos com os líderes ucranianos, incluindo o presidente Zelensky, e devo dizer que estou um pouco decepcionado com o presidente Zelensky, que não leu a proposta”, declarou Trump.

“Isso agrada à Rússia, acho que a Rússia gostaria de ter todo o país”, mas “não tenho certeza se isso agrada ao presidente Zelensky”, acrescentou o bilionário republicano, que se aproximou de Moscou desde que voltou à Casa Branca há quase um ano.

Em meio à polêmica, o presidente ucraniano participa nesta segunda, em Londres, de uma reunião com o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o chanceler alemão Friedrich Merz.

Os três líderes e vários membros da Coalizão dos Voluntários vão se encontrar para analisar as negociações que estão em andamento em Washington, Moscou e Kiev.

O objetivo dos europeus, que estão excluídos do processo desde a divulgação do plano de Trump, é tentar influenciar as discussões.

A proposta americana de paz para a Ucrânia, de 28 pontos, foi apresentada em 20 de novembro. Washington está mediando as conversas com Moscou e Kiev, mas os europeus esperam que as garantias de segurança exigidas pelos ucranianos sejam respeitadas.

O presidente ucraniano espera obter o compromisso de que os russos não voltariam a atacar a Ucrânia após o fim do conflito.

Os Estados Unidos afirmam que as discussões avançam e, neste domingo (7), o emissário americano Keith Kellogg assegurou que um acordo para pôr fim à guerra estava “muito próximo”, mas reconheceu que o Kremlin exigia modificações “radicais”.

Segundo ele, o futuro da região de Donbass e o da usina nuclear de Zaporíjia, a mais poderosa da Ucrânia, são duas questões de difícil consenso. “Se esses dois pontos forem resolvidos, o resto será resolvido”, garantiu. Zelensky considera “construtivas” as discussões realizadas entre ucranianos e americanos na Flórida.

A pressão continua no front. Em uma semana, mais de 1.600 drones de ataque, 1.200 bombas aéreas guiadas e 70 mísseis russos atingiram a Ucrânia, afetando infraestruturas ferroviárias, energéticas e civis. No sul do país, muitos habitantes estão sem eletricidade e aquecimento, e as temperaturas giram em torno de 5 graus.

EUA publicam estratégia de segurança nacional

A Casa Branca publicou, no fim de semana, a nova estratégia americana de segurança nacional. O documento, de cerca de 30 páginas, detalha as prioridades estratégicas dos EUA e considera que a Europa corre risco de “apagamento civilizacional” dentro de cerca de 20 anos, se sua trajetória ideológica não for corrigida.

Segundo a publicação, é necessário ajudar a Europa apoiando partidos que compartilhem os valores dos Estados Unidos de Donald Trump, de extrema direita, como já havia dito o vice-presidente JD Vance em fevereiro, na conferência de Munique.

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a estratégia de segurança americana está ‘alinhada’ à visão do Kremlin, em uma mensagem clara à Ucrânia.

Leia mais reportagens como essa no RFI, parceiro do Metrópoles.

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