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Mundo

Brasil supera EUA em ranking mundial de democracia pela primeira vez

Relatório V-Dem aponta retrocesso histórico nos EUA, que deixou de ser classificado como uma "democracia liberal"

18/03/2026 16:05, atualizado 18/03/2026 16:06
Andrew Harnik/Getty Images
Foto colorida mostra os presidentes Trump (EUA) e Lula (Brasil) - Metrópoles

Pela primeira vez em mais de meio século, os Estados Unidos deixaram de ser classificados como uma “democracia liberal” e passaram a constar apenas como democracia eleitoral, segundo o Relatório da Democracia 2026 do Instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

O estudo divulgado no início de março, aponta ainda uma queda abrupta na qualidade democrática norte-americana, colocando o país atrás do Brasil no ranking global. Enquanto os EUA despencaram para a 51ª posição entre 179 países, o Brasil subiu para 28º lugar, aparecendo à frente pela primeira vez.

Retrocesso histórico nos EUA

De acordo com o V-Dem, o índice de democracia liberal (LDI) nos Estados Unidos caiu de 0,75 em 2024 para 0,57 em 2025, atingindo patamares semelhantes aos do início dos anos 1960, durante o movimento pelos direitos civis.

Já o Índice de Democracia Eleitoral (EDI) caiu de 0,84 para 0,74, o maior declínio anual da história do país.

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O relatório destaca que, apesar das eleições continuarem regulares, há falhas significativas em direitos e instituições, incluindo:

  • Expansão rápida do poder executivo, considerada sem precedentes na história moderna
  • Ataques à imprensa e à liberdade de expressão
  • Enfraquecimento de freios e contrapesos institucionais
  • Polarização política extrema, que deslegitima processos democráticos
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Lula e Trump se encontram nesta quinta nos EUA
Donald Trump
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Donald Trump (EUA)

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Ricardo Stuckert

Segundo o professor Staffan Lindberg, diretor do V-Dem, “o atual governo dos EUA vem enfraquecendo os freios e contrapesos institucionais, politizando o serviço público e os órgãos de fiscalização, além de atacar a imprensa, a academia, as liberdades civis e as vozes dissidentes”.

Com isso, as eleições de meio de mandato, previstas para novembro, serão um teste decisivo para avaliar se os indicadores eleitorais continuarão a piorar.

Do outro lado da moeda, Brasil em recuperação democrática

O relatório também destaca o avanço do Brasil, apontando o país como um exemplo de reversão de autocratização recente.

De acordo com a pesquisa, o processo de “deterioração democrática brasileira” começou após o impeachment da presidente Dilma Rousseff e se aprofundou durante o governo de Jair Bolsonaro, que tentou concentrar poder e enfraquecer instituições.

A recuperação ocorreu com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2022, apoiado por uma coalizão de nove partidos, interrompendo a perda de direitos e fortalecendo instituições.

Apesar da melhora, o país ainda enfrenta profunda polarização, e as eleições de 2026 serão decisivas para consolidar a democracia. Bolsonaro, porém, está impedido de concorrer após condenação por tentativa de golpe.

O Brasil aparece agora como líder de um grupo de países que conseguiram reverter retrocessos democráticos recentes, protagonizando um cenário que contrasta com a queda estadunidense.