EUA: Jimmy Kimmel reage a pedido de demissão feito por Trump e Melania
O presidente e a primeira-ama dos EUA pediram a demissão do apresentador após uma piada feita dois dias antes do atentado em Washington
atualizado
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No monólogo tradicional de abertura de seu talk show, na rede norte-americana ABC, nessa segunda-feira (27/4), o apresentador Jimmy Kimmel reagiu ao pedido de Donald Trump e Melania pela sua demissão.
“Sabe quando você acorda de manhã e a primeira-dama publica um comunicado exigindo sua demissão? Todos nós já passamos por isso, não é? Que dia”. afirmou, arrancando gargalhadas da plateia.
O comentário que culminou no pedido de dispensa de Kimmel foi feito no episódio da última quinta-feira (23/4), em que o apresentador fingiu estar no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, em uma sátira ao fato de Trump nunca ter ido ao evento.
Na encenação, o apresentador brincou dizendo que a primeira-dama tinha “um brilho como o de uma viúva grávida”, numa referência às idades de Trump (79) e Melania (56).
“Foi uma piada leve sobre o fato de ele ter quase 80 anos e ela ser mais jovem do que eu. Não foi, de forma alguma, um apelo ao assassinato, e eles sabem disso”, justificou Kimmel, que tem 58 anos.
Dois dias após o quadro ir ao ar, um atirador abriu fogo do lado de fora do salão de baile do jantar e Trump e seus aliados decidiram resgatar a piada e a inserir no contexto de incitamento à violência.
Nas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos afirmou: “Entendo que muitas pessoas estejam indignadas com o desprezível apelo à violência feito por Kimmel e, normalmente, não reagiriam a nada do que ele disse, mas isso é algo inaceitável. Jimmy Kimmel deveria ser demitido imediatamente pela Disney e pela ABC”, escreveu.
Já a primeira-dama chamou Kimmel de “covarde” e afirmou que é hora da ABC tomar uma posição.
Kimmel disse ainda que se os Trump realmente acreditam que seus comentários poderiam ter incitado violência, também deveriam investigar uma declaração feita pela secretária de imprensa da Casa Branca antes do jantar. “Haverá tiros disparados esta noite”, afirmou Karoline Leavitt em entrevista à Fox News, em uma metáfora que se referia aos comentários políticos que seriam feitos por Trump naquela noite.
“Donald Trump tem o direito de dizer o que quiser, assim como você, eu e todos nós, porque, de acordo com a Primeira Emenda, nós, como americanos, temos o direito à liberdade de expressão. Lamento que você, o presidente e todos que estavam naquela sala no sábado tenham passado por aquilo. De verdade. Só porque ninguém morreu não significa que não tenha sido traumático e assustador, e devemos nos unir e fazer o melhor possível”, finalizou Kimmel.
Fora do ar
Em setembro de 2025, o talk show Jimmy Kimmel Live! foi tirado temporariamente do ar após comentários do apresentador sobre a morte do ativista conservador Charlie Kirk.
A suspensão do programa ocorreu após pressão de Trump e da Comissão Federal de Comunicação dos EUA (FCC). Empresas de transmissão, como Sinclair e Nexstar, também criticaram o comentário que associava o assassino de Kirk ao movimento trumpista e questionava a reação do presidente à morte do ativista.
A interrupção, que durou cinco dias, provocou protestos em fachadas de escritórios da Disney, clientes cancelaram assinaturas do Disney+ e cerca de 400 celebridades de Hollywood assinaram uma carta aberta criticando a suspensão como forma de censura.
