EUA e Rússia concordam em nomear negociadores para guerra na Ucrânia

Encontro entre russos e americanos aconteceu em Riade, nesta terça (18/2). Volodymyr Zelensky se encontrou com o chefe de Estado turco

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Imagem colorida de sombras de dois soldados em frente de parede pintada nas cores das bandeiras de Rússia (esquerda) e Ucrânia (direita) - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de sombras de dois soldados em frente de parede pintada nas cores das bandeiras de Rússia (esquerda) e Ucrânia (direita) - Metrópoles - Foto: bymyratdeniz/Getty Images

Representantes russos e americanos reunidos em Riade nesta terça-feira (18/2) concordaram em estabelecer um “mecanismo de consulta” para resolver suas disputas e em nomear negociadores para solucionar a guerra na Ucrânia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que se encontrou com o chefe de Estado turco Recep Tayyip Erdogan, em Ancara, pediu negociações “justas” que incluíssem a Ucrânia, a União Europeia, o Reino Unido e a Turquia.

No final das primeiras negociações desse nível entre russos e americanos desde a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse estar “convencido” de que a Rússia queria se envolver em um “processo sério” para acabar com a guerra. Ele enfatizou, no entanto, que um acordo sobre a Ucrânia deve ser “aceitável” para todos.

“Deve ser um fim permanente para a guerra, não um fim temporário, como vimos no passado. Sabemos, é apenas a realidade das coisas, que terá que haver uma discussão sobre os territórios e haverá uma discussão sobre garantias de segurança”, disse Rubio à imprensa, após a reunião que durou quatro horas e meia.

O secretário de Estado especificou que os europeus, deixados de fora dessas negociações assim como Kiev, deveriam participar das negociações no futuro. Sem a Europa, um levantamento unilateral por Washington das sanções econômicas contra a Rússia seria dificilmente possível.

“Há outras partes que têm sanções (contra a Rússia), a União Europeia terá que estar na mesa em algum momento porque eles também têm sanções”, reconheceu.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse a esse respeito que percebeu “um grande interesse em remover obstáculos artificiais ao desenvolvimento de uma cooperação econômica mutuamente benéfica” entre a Rússia e os Estados Unidos.

Ele disse que os americanos começaram a “entender melhor” a posição de Moscou e que russos e americanos não apenas “ouviram”, mas também “se entenderam” reciprocamente.

Existem “oportunidades extraordinárias para uma parceria” com a Rússia, mas “a chave para alcançar isso é o fim deste conflito”, concordou Rubio.

Sem a Ucrânia

“A Ucrânia e a Europa no sentido mais amplo — isso inclui a União Europeia, a Turquia e o Reino Unido — devem participar das discussões e do desenvolvimento das garantias de segurança necessárias com os EUA em relação ao destino do nosso país no mundo”, insistiu Volodymyr Zelensky em Ancara.

Ele anunciou que adiaria sua viagem à Arábia Saudita, originalmente marcada para 10 de março.

“Nosso país será um anfitrião ideal para as prováveis ​​negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos em um futuro próximo”, disse Erdogan.

Washington e Moscou disseram que Kiev participaria das negociações “no momento oportuno”, e o porta-voz do Kremlin garantiu na terça-feira que Vladimir Putin estava “se necessário, pronto para negociar com Zelensky”.

Mas Marco Rubio e Serguei Lavrov ignoraram as exigências dos líderes europeus, que se reuniram em Paris na segunda-feira, de se unirem aos Estados Unidos no processo de paz na Ucrânia. O americano e o russo informaram que decidiram “nomear equipes de alto nível para começar a trabalhar em uma solução para o conflito na Ucrânia o mais rápido possível, de uma forma que seja duradoura, sustentável e aceitável para todas as partes”, segundo o Departamento de Estado americano em um comunicado.

“Discutimos, delineamos nossas abordagens baseadas em princípios e concordamos que equipes separadas de negociadores sobre essa questão entrariam em contato umas com as outras no momento oportuno”, confirmou o conselheiro diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov.

Rússia categórica contra soldados da Otan

A Rússia foi categórica sobre a entrada de soldados da Otan na Ucrânia. “Nós explicamos hoje que o envio de tropas das forças armadas dos países da Otan, mas sob uma bandeira diferente, sob a bandeira da União Europeia ou sob bandeiras nacionais, não muda nada. Isso é, claro, inaceitável”, disse Serguei Lavrov. Alguns países europeus e Kiev defendem essa ideia para garantir a segurança da Ucrânia e o cumprimento de um futuro acordo que ponha fim à guerra.

Moscou e Washington também concordaram em estabelecer um “mecanismo de consulta” e “estabelecer as bases para uma cooperação futura em questões geopolíticas de interesse mútuo e nas oportunidades econômicas e de investimento históricas que surgirão de um resultado bem-sucedido do conflito na Ucrânia”, disse o Departamento de Estado americano.

Antes das negociações começarem, a Rússia ressaltou que qualquer solução para a guerra na Ucrânia precisaria incluir uma reformulação completa do sistema de segurança europeu.

A Rússia há muito tempo pede a retirada das forças da Otan da Europa Oriental, vendo a aliança como uma ameaça existencial. Ela usou esse argumento para justificar sua invasão da Ucrânia em 2022.

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