EUA diz temer fome no mundo e receberá 100 mil refugiados da Ucrânia

Joe Biden demonstrou preocupação com questões humanitárias após a profunda crise desencadeada após o início do conflito na Europa

atualizado 24/03/2022 15:37

Refugiados da Ucrânia chegam em campo na fronteira após fugirem da guerra em seu país em Przemysl, Polônia - MetrópolesGettyImages

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, demonstrou preocupação com questões humanitárias, como segurança alimentar e a crise dos refugiados no Leste Europeu, com a invasão russa à Ucrânia.

Biden confirmou que os Estados Unidos vão acolher 100 mil refugiados ucranianos e oferecer US$ 1 bilhão (R$ 4,8 bilhões) em ajuda humanitária ao país.

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Para o líder da maior potência do mundo, se o conflito se prolongar, a oferta de alimentos no mundo será prejudicada. O setor de grãos já sofre efeitos da guerra. O trigo e o milho centralizam o problema.

Biden anunciou que será criado um sistema de monitoramento para registrar e punir pessoas ou  países que violem as sanções econômicas contra a Rússia.

O presidente norte-americano não deu detalhes sobre o projeto, mas insinuou que ele entrará em funcionamento em breve. ” Vamos criar um sistema que possa monitorar quem viola as sanções”, adiantou. Biden afirmou que o mundo corre o risco de sofrer com a falta de alimentos por causa da guerra.

Nesta quinta-feira (24/3), a guerra completa um mês e os líderes da Otan estão reunidos em Bruxelas, na Bélgica. Foi justamente o desejo da Ucrânia de entrar na organização que deu início à invasão russa, em 24 de fevereiro.

Além disso, Biden afirmou que o líder russo, Vladimir Putin, fracassou na investida contra o Ocidente. Biden defendeu a expulsão da Rússia do G20, grupos dos países mais ricos do mundo. A Polônia, país integrante da Otan e fronteiriço com a Ucrânia, defende essa medida.

“Ficou claro que ele achou que a gente não conseguisse manter essa coesão. Ele conseguiu o resultado exatamente oposto”, concluiu.

Negociações

O presidente norte-americano comentou brevemente a situação das negociações de paz entre russos e ucranianos. As conversas estão estagnadas por pressões dos dois lado. “Ucrânia que deve decidir se cede território”, resumiu.

Além disso, Biden deixou recados político-diplomáticos. Ele alertou que os países aliados estão preparados para responder em caso de uso de armas nucleares, químicas e biológicas.

Outra mensagem foi direcionada a nações apoiadoras da Rússia, como Belarus e China. “Haverá consequências”, frisou.

Zelensky

Antes da entrevista de Biden, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou formalmente a Rússia de usar bombas de fósforo contra crianças. O país já havia feito esse tipo de avaliação sobre a atuação das tropas de Vladimir Putin, mas não de forma enfática.

Zelensky levou a denúncia para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ao participar da reunião de cúpula, realizada nesta quinta-feira (24/3), em Bruxelas.

“Nesta manhã, houve ataques com bombas de fósforo, e novamente morreram crianças, além de adultos”, frisou o líder ucraniano.

As bombas de fósforo são semelhantes a armas incendiárias e causam graves ferimentos. Elas são compostas por substâncias solúveis em gordura e, assim, provocam queimaduras profundas.

Caso fragmentos entrem na corrente sanguínea, pode haver falência múltipla de órgãos, e feridas já cobertas podem reabrir quando os curativos são retirados e o local fica exposto ao oxigênio.

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