EUA diz na ONU que a Rússia quer “usar a força” para ameaçar o mundo

"Se a Rússia continuar com esse caminho, ela criará uma crise de refugiados e de fornecimento de alimentos", alertou embaixadora americana

atualizado 23/02/2022 14:12

Eskinder Debebe/ONU

Linda Thomas-Greenfild, embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU) foto em destaque —, afirmou que a Rússia que usar a força para ameaçar a Ucrânia e o mundo.

A reunião realizada nesta quarta-feira (23/2) pela entidade era de praxe. Estava marcada há semanas. Contudo, a escalada da crise no Leste Europeu mudou a pauta do encontro entre lideranças internacionais.

“Putin disse que a Ucrânia não é um país de verdade e isso contraria as leis internacionais. Ameaça não só a Ucrânia, mas toda a ONU”, declarou a embaixadora em seu pronunciamento na assembleia geral da ONU.

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A norte-americana acusou Putin de querer resgatar a época de impérios e disse que ele “usaria a força” para isso. “Temos que impedir que os impérios mortos não voltem em nova forma de opressão e violência. A realidade que a Rússia quer criar já tem consequências para o mundo”, salientou.

Linda reafirmou o posicionamento do governo americano de aplicar sanções contra o país. “Se a Rússia continuar com esse caminho ela criará uma crise de refugiados e de fornecimento de alimentos. Há uma ameaça maior: ao sistema internacional. Afetam o princípio da diplomacia e da soberania. Somente a Rússia tem a responsabilidade do que está para acontecer”, concluiu.

Repercussão

Nesta quarta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu que o parlamento ucraniano aprove um decreto de estado de emergência válido por 30 dias. O governo passou a permitir que civis portem armas. É mais uma medida diante da tensão geopolítica no Leste Europeu.

Zelensky alertou que os riscos de um conflito entre a Rússia e a Ucrânia ameaçam toda a Europa. O presidente ucraniano requer mais sanções contra os russos e pediu armas aos países do Ocidente.

Após o término de uma audiência geral no Vaticano, o papa Francisco fez um apelo por paz, ao comentar a crise geopolítica entre a Rússia e a Ucrânia.

“Tenho uma grande tristeza em meu coração, com o agravamento da situação na Ucrânia. Apesar dos esforços diplomáticos das últimas semanas, cenários cada vez mais alarmantes estão se abrindo”, frisou.

O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu “respostas” às sanções econômicas impostas pela comunidade internacional.

Em pronunciamento no Kremlin, sede do governo russo, Putin voltou a afirmar que está disposto a negociar uma solução diplomática para a crise geopolítica, desde que sejam respeitados os “interesses e a segurança russos”, que são “inegociáveis”.

Crise em escalada

A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entidade militar liderada pelos Estados Unidos.

Na prática, Moscou vê essa possível adesão como uma ameaça à sua segurança. Os laços entre Rússia, Belarus e Ucrânia existiam desde antes da criação da União Soviética (1922-1991).

Nos últimos dias, a crise aumentou. A Rússia enviou soldados para a fronteira com a Ucrânia, reconheceu duas regiões separatistas ucranianas como repúblicas independentes e tem intensificado as atividades militares. A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014, quando anexou a Crimeia ao seu território.

A Ucrânia pediu mais armas aos países do Ocidente, sob o argumento de defesa contra a Rússia. Além disso, convocou militares reservistas e liberou porte de armas a civis.

Putin, por sua vez, acusa os ucranianos de desenvolverem armas nucleares, o que colocaria a segurança de Moscou em risco.

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