Rússia rebate Ucrânia na ONU: “Está em guerra com próprios cidadãos”

 Vasily Nebenzya, representante russo, afirmou ainda que os ucranianos "não conseguem convencer o seu próprio povo"

atualizado 23/02/2022 14:13

Spencer Platt/Getty Images

Após acusações enfáticas da Ucrânia, o representante da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasily Nebenzya ( foto em destaque), afirmou que o país vizinho está em “guerra com os próprios cidadãos”.

A reunião de praxe da ONU marcada para esta quarta-feira (23/2) foi tomada pela crise entre a Rússia e a Ucrânia. O tema centralizou as atenções dos discursos pelo temor de uma guerra.

Nebenzya repetiu o que o presidente russo, Vladmir Putin, tem dito. Citou a Crimeia e que o acordo de Minks, protocolo que cessou a guerra no Leste Europeu, não existe mais.

Publicidade do parceiro Metrópoles 1
Publicidade do parceiro Metrópoles 2
Publicidade do parceiro Metrópoles 3
Publicidade do parceiro Metrópoles 4
Publicidade do parceiro Metrópoles 5
Publicidade do parceiro Metrópoles 6
Publicidade do parceiro Metrópoles 7
Publicidade do parceiro Metrópoles 8
0

Na prática, a Rússia questiona a existência do país. “Não conseguem convencer o seu próprio povo. Os membros da ONU pedem o diálogo direto entre as partes do conflito, mas isso não está acontecendo. A Ucrânia tratou [a questão] de forma inescrupulosa”, declarou.

Na segunda-feira (21/2), Putin reconheceu Donetsk e Luhansk como repúblicas independentes da Ucrânia. A comunidade internacional entendeu a decisão como uma ameaça.

“Dois dias atrás foram dadas declarações de que o que está acontecendo não estaria em acordo com a ONU”, desmentiu Nebenzya. Segundo ele, “não há conflito que permita que tais declarações sejam dadas”.

ONU faz apelo

O secretário-geral da entidade, António Guterres, subiu o tom e cobrou “negociações pacíficas” e respeito às leis internacionais de direitos humanos e soberania.

“Precisamos preservar a pacificação”, iniciou Guterres. Ele prosseguiu: “Precisamos pensar no povo da Ucrânia para se evitar uma guerra. Pedimos que os princípios da ONU sejam obedecidos para garantir que as pessoas tenha suas vidas preservadas. Em conflitos, mulheres e crianças sofrem mais”, frisou.

Repercussão

Nesta quarta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu que o parlamento ucraniano aprove um decreto de estado de emergência válido por 30 dias. O governo passou a permitir que civis portem armas. É mais uma medida diante da tensão geopolítica no leste europeu.

Zelensky alertou que os riscos de um conflito entre a Rússia e a Ucrânia ameaçam toda a Europa. O presidente ucraniano quer mais sanções contra os russos e pediu armas aos países do Ocidente.

Após o término da audiência geral no Vaticano, o papa Francisco fez um apelo por paz ao comentar a crise geopolítica entre a Rússia e a Ucrânia.

“Tenho uma grande tristeza em meu coração com o agravamento da situação na Ucrânia. Apesar dos esforços diplomáticos das últimas semanas, cenários cada vez mais alarmantes estão se abrindo”, frisou.

O presidente russo, Vladmir Putin, prometeu “respostas” às sanções econômicas impostas pela comunidade internacional.

Em pronunciamento no Kremlin, sede do governo russo, Putin voltou a afirmar que está disposto a negociar uma solução diplomática para a crise geopolítica, desde que sejam respeitados os “interesses e a segurança russos”, que são “inegociáveis”.

A porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, criticou a postura dos Estados Unidos na crise geopolítica do leste europeu. Para a diplomata, as sanções americanas colocam “lenha na fogueira” e a postura americana não tem colaborado para a resolução do conflito.

“Os Estados Unidos não deixaram de vender armas para a Ucrânia, aumentando a tensão e criando pânico”, salientou.

Crise em escalada

A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entidade militar liderada pelos Estados Unidos.

Na prática, Moscou vê essa possível adesão como uma ameaça à sua segurança. Os laços entre Rússia, Belarus e Ucrânia existiam desde antes da criação da União Soviética (1922-1991).

Nos últimos dias, a crise aumentou. A Rússia enviou soldados para a fronteira com a Ucrânia, reconheceu duas regiões separatistas ucranianas como repúblicas independentes e tem intensificado as atividades militares. A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014, quando anexou a Crimeia ao seu território.

A comunidade internacional tem alertado para o risco iminente de uma invasão russa ao território ucraniano, o que desencadearia uma guerra no leste europeu. A Otan e a União Europeia acompanham a situação com atenção.

Mais lidas
Últimas notícias