EUA cancela foto oficial do G20 após europeus recusarem posar com Lavrov
A tradicional foto de família registra a presença de autoridades no evento e é tirada em todos eventos internacionais

Os Estados Unidos cancelaram a foto oficial da Cúpula de Chanceleres do G20 após autoridades europeias se recusarem a posar ao lado do chanceler russo, Sergey Lavrov. O evento teve início nesta sexta-feira (30/10) em Atlanta e é sediado pelo Secretário de Estado Marco Rubio, responsável por conduzir a política externa da gestão Donald Trump.
O encontro tem agendas previstas até sábado (31/10), e deve avançar em questões práticas, como a elaboração da declaração final a ser assinada pelos países no final do ano. As agendas desta semana antecedem a Cúpula de Líderes do G20, que ocorre em dezembro. Serão três sessões de trabalho para discutir sobre questões geopolíticas, energia e cadeias de suprimento.
De acordo com o cronograma divulgado pelo Departamento de Estado, a foto oficial seria feita antes dos chanceleres se reunirem para a primeira sessão de trabalho da cúpula, que estava marcada para ter início às 10h30 no horário local.
Com um grupo rachado em meio às guerras na Europa e no Oriente Médio, e a política tarifária de Donald Trump, os chanceleres protagonizaram um embate antes mesmo de darem início às reuniões previstas para hoje. Ao término da primeira reunião, o chanceler alemão, Johann Wadephul, confirmou o cancelamento da foto oficial.
“Não haverá foto de família com nossos parceiros europeus junto ao Sr. Lavrov. Não há normalidade com a Rússia. Não devemos enviar sinais visuais falsos”, disse.
Diferentemente das nações europeias, os Estados Unidos de Donald Trump têm uma relação de proximidade com a Rússia. O líder norte-americano já se reuniu com o presidente Vladimir Putin e convidou o autocrata russo para a Cúpula de Líderes do bloco.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesComo o EUA não é signatário do Tribunal Penal Internacional (TPI), que emitiu um mandado de prisão contra Putin, ele poderia ir à Atlanta para o evento sem correr risco de ser detido.

A Rússia enfrenta momentos de tensão com países europeus em meio à escalada da guerra que o país enfrenta contra a Ucrânia. Neste mês, ataques com drones contra embarcações no Mar Negro, perto das costas da Romênia e da Bulgária, deixaram marinheiros desaparecidos e levaram o governo búlgaro a pedir reforço dos sistemas de defesa antiaérea e de combate a drones.
Os episódios reforçam a preocupação de governos europeus com a possibilidade de o conflito ultrapassar as fronteiras ucranianas por meio de incidentes militares, violações do espaço aéreo e operações atribuídas a Moscou.
Embora os ataques a embarcações não signifiquem, por si só, uma agressão direta contra a Otan, a proximidade de áreas sob responsabilidade de países aliados aumenta a pressão por medidas de proteção e vigilância.
