Mauro Vieira chega ao G20 nos EUA em meio à tensão com Casa Branca
Chanceler brasileiro participa da Cúpula de Chanceleres do bloco. Agenda antecipa a Cúpula de Líderes do bloco, que acontece em dezembro

O chanceler Mauro Vieira desembarcou em Atlanta nesta sexta-feira (30/10) para a Cúpula de Chanceleres do G20, que neste ano ocorre nos Estados Unidos. O compromisso marca o primeiro encontro entre autoridades brasileiras e norte-americanas desde as eleições brasileiras e em meio ao silêncio da Casa Branca sobre a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito.
Quem preside as reuniões é o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, responsável por conduzir a política externa norte-americana. É ele também a pessoa apontada como o elo entra a família Bolsonaro e o governo Donald Trump.
Embora não exista uma reunião privada entre Mauro Vieira e Rubio, é provável que os dois tenham conversas informais ao longo da agenda em Atlanta, onde todo os membros do G20 se reúnem para discutir a Cúpula de Líderes, que ocorre em dezembro.
Os encontros deste fim de semana devem avançar em questões práticas, como a elaboração da declaração final a ser assinada pelos países no final do ano. Integrantes do governo brasileiro, no entanto, não demonstram otimismo em relação às reuniões e avaliam com cautela as perspectivas de avanço nas discussões.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesFuga de Flávio Bolsonaro
- Flávio Bolsonaro foi alvo de um pedido de devolução de passaportes após perder as eleições para a Presidência da República.
- A medida partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a Polícia Federal (PF) apontar para risco de fuga do senador do Brasil em meio à derrota nas eleições.
- A devolução não foi cumprida e, cerca de dois dias após as eleições, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil utilizando um passaporte italiano.
- Ao Metrópoles, o Departamento de Estado informou que concederia vistos Flávio e sua família para que eles pudesse entrar e ficar no país.
- O político é investigado em três processos diferentes conduzidos pela Polícia Federal.
Baixa expectativa com o G20
Os Estados Unidos presidiram o G20 neste ano em meio a uma agenda avaliada como de baixo engajamento pelo governo brasileiro. Para auxiliares e interlocutores do presidente Lula, o bloco perdeu sua capilaridade durante a gestão norte-americana e em meio às críticas de Donald Trump com organismos multilaterais.
A gestão trumpista tem privilegiado acordos bilaterais ao passo que questiona a eficácia de instituições multilaterais, além de rejeitar iniciativas que considera contrárias à soberania americana ou que imponham obrigações desproporcionais ao país.
A postura se traduziu ainda na retirada do EUA de dezenas de organismos internacionais, sob o argumento de que contrariavam os interesses nacionais.
Para o G20 não é diferente. Membros do governo brasileiro avaliam que a Casa Branca avançou pouco com as agendas do bloco e fez ainda retrocessos em relação à presidência anterior, conduzida pelo Brasil. Como feito de sua presidência, o governo Lula lançou a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, emplacando a marca doméstica do petista também na política externa.
Tensão com EUA
A viagem de Mauro Vieira aos Estados Unidos é marcada ainda por recentes tensões entre os dois países. No âmbito do G20, o governo do presidente Lula já enfrentou divergências com o governo norte-americano na última reunião conduzido pelo país sobre o bloco.
Em setembro os Estados Unidos reuniu os países membros do G20 em Milwaukee, no estado de Wisconsin, para debater pautas econômicas do grupo. O governo brasileiro divergiu da maior parte das propostas que a presidência norte-americana tentou aprovar por consenso, o que dificultou o avanço das iniciativas defendidas por Washington.
Se soma ainda à tensão bilateral o posicionamento adotado pelos Estados Unidos após as eleições brasileiras. Até o momento, a Casa Branca não reconheceu o resultado do pleito que reelegeu Lula para seu quarto mandato e Donald Trump fez declarações nos últimos dias alegando a suspeita de fraude no processo eleitoral brasileiro.
Além disso, Casa Branca forneceu ajuda para Flávio Bolsonaro (PL) fugir do Brasil após perder a disputa ao Palácio do Planalto contra Lula. O candidato do Partido Liberal saiu do Brasil nessa terça-feira (27/10) rumo à Argentina e, horas mais tarde, na manhã dessa quarta (28/10) desembarcou em Miami, nos Estados Unidos.
A partida para outro país implica em descumprimento de decisão judicial por Flávio, que havia sido impedido de deixar o Brasil após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida foi tomada depois que a Polícia Federal (PF) alertou sobre o risco de o senador fugir do país, onde é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A partida para Miami foi viabilizada por meio de ajuda do governo Donald Trump, conforme noticiou o jornal New York Time e confirmou o Metrópoles. Donald Trump alimenta um elo com a família Bolsonaro e, embora não tenha endossado a candidatura do senador, fez acenos ao político nos últimos meses.






