EUA alivia sanções para acelerar ajuda após terremotos na Venezuela
Licença do Tesouro dos EUA autoriza transações ligadas à ajuda humanitária e amplia exceções ao regime de sanções contra a Venezuela

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo, nesta quinta-feira (25/6), para facilitar o envio de assistência humanitária à Venezuela após os terremotos que devastaram o país.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro, emitiu a Licença Geral nº 60, que autoriza temporariamente transações relacionadas às operações de socorro e recuperação que antes eram restringidas pelo regime de sanções americanas.
A medida amplia as exceções humanitárias já existentes e busca dar segurança jurídica a organizações internacionais, bancos, empresas e entidades que atuam na resposta à tragédia.
Segundo o Tesouro dos EUA, o objetivo é permitir que os envolvidos “se concentrem no apoio às comunidades afetadas e no avanço dos esforços de recuperação na Venezuela”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA autorização permanecerá em vigor até 23 de outubro de 2026, às 0h01 (horário da Costa Leste dos Estados Unidos).
O que muda
A Licença Geral nº 60 permite todas as transações relacionadas aos esforços de assistência após os terremotos que, em condições normais, seriam proibidas pelos Regulamentos de Sanções à Venezuela (VSR).
Na prática, a medida autoriza, por exemplo:
- transferências internacionais de recursos para financiar ações de ajuda humanitária;
- processamento de pagamentos ligados às operações de socorro;
- envio de recursos financeiros por pessoas e organizações de terceiros países para a Venezuela;
- atuação de instituições financeiras americanas e empresas de remessas em operações destinadas à resposta ao desastre.
Apesar da flexibilização, o governo americano ressalta que a licença não suspende o regime de sanções contra o país.
Continuam proibidos:
- o desbloqueio de bens e ativos já congelados sob as sanções contra a Venezuela;
- transações vedadas por outras ordens executivas ou por outros programas de sanções dos Estados Unidos;
- operações que contrariem outras leis federais americanas ou exigências de agências reguladoras.
Medida complementa pacote de US$ 150 milhões
A nova licença foi anunciada horas depois de Washington divulgar um pacote de US$ 150 milhões (cerca de R$ 825 milhões) em assistência à Venezuela.
Desse total, US$ 50 milhões serão destinados a novos acordos com organizações humanitárias que já atuam no país.
Enquanto US$ 100 milhões serão repassados ao fundo humanitário administrado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Além dos recursos financeiros, os Estados Unidos mobilizaram uma Equipe Regional de Resposta a Desastres (DART), com especialistas em emergências, equipes de busca e resgate urbano, médicos, engenheiros estruturais e profissionais treinados para operações com cães farejadores.
Os Estados Unidos estão entre pelo menos 17 países que anunciaram apoio à Venezuela após os dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados com apenas 39 segundos de intervalo nessa quarta-feira (24/6). Os tremores foram os mais intensos registrados no país em mais de um século.
De acordo com o balanço mais recente divulgado pelo governo venezuelano, os desastres deixaram 235 mortos e milhares de feridos.
Uma plataforma organizada por voluntários registra mais de 40 mil desaparecidos.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), em avaliação preliminar baseada na magnitude do desastre, estima que o número final pode superar 10 mil mortes.









