Entenda o que se sabe sobre cruzeiro com casos de hantavírus
Embarcação tem dois casos confirmados e cinco suspeitos. Cruzeiro deve seguir agora para as Ilhas Canárias
atualizado
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O cruzeiro MV Hondius está em quarentena devido a casos suspeitos de hantavírus. Três passageiros morreram, sendo que dois já tiveram a doença confirmada. Outras três pessoas apresentaram sintomas e devem desembarcar em Cabo Verde, onde o navio está atracado desde domingo (3/5). O transporte será feito em duas aeronaves especializadas e eles serão levados para os Países Baixos.
A embarcação agora vai seguir para as Ilhas Canárias, onde o governo espanhol autorizou o desembarque das pessoas. A viagem deve durar de três a quatro dias.
O que a OMS diz
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha os casos e fez uma inspeção no navio. Uma das suspeitas é que possa ter tido transmissão entre humanos do vírus. Embora raro, esse tipo de infecção é possível.
“Acreditamos que pode haver alguma transmissão de pessoa para pessoa ocorrendo entre contatos realmente próximos”, disse a autoridade da OMS, Maria Van Kerkhove.
Apesar disso, em comunicado, a OMS afirmou não considerar que haja riscos consideráveis para a população em geral. “A OMS avalia atualmente o risco para a população global decorrente deste evento como baixo e continuará monitorando a situação epidemiológica e atualizando a avaliação de risco à medida que mais informações se tornarem disponíveis”, diz.
Casos detectados
Até o momento, são sete casos suspeitos de infecção pelo hantavírus. Dois deles já foram confirmados.
- Caso 1: um homem adulto apresentou sintomas de febre, dor de cabeça e diarreia leve em 6 de abril de 2026, enquanto estava a bordo do navio. Em 11 de abril, o paciente desenvolveu insuficiência respiratória e morreu a bordo no mesmo dia. Não foram realizados testes microbiológicos. O corpo do passageiro foi removido da embarcação e levado para Santa Helena (um território ultramarino britânico) em 24 de abril.
- Caso 2: uma mulher adulta, que teve contato próximo com o caso 1, desembarcou em Santa Helena em 24 de abril de 2026 com sintomas gastrointestinais. Seu quadro clínico piorou durante um voo para Joanesburgo, África do Sul, em 25 de abril. Ela faleceu ao chegar ao pronto-socorro em 26 de abril. Em 4 de maio, o caso foi confirmado por PCR como infecção por hantavírus. Segundo a OMS, o rastreamento de contatos dos passageiros do voo foi iniciado.
- Caso 3: um homem adulto apresentou-se ao médico do navio em 24 de abril de 2026 com febre, falta de ar e sinais de pneumonia. Em 26 de abril, seu quadro clínico piorou. Ele foi evacuado por via aérea da Ilha de Ascensão para a África do Sul em 27 de abril, onde está atualmente internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os exames laboratoriais para um amplo painel de patógenos respiratórios foram negativos; no entanto, o teste de reação em cadeia da polimerase (PCR) confirmou a infecção por hantavírus em 2 de maio.
- Caso 4: uma mulher adulta, com quadro de pneumonia, faleceu em 2 de maio de 2026. O início dos sintomas ocorreu em 28 de abril, com febre e mal-estar geral.
- Caso 5, 6 e 7: os passageiros apresentaram febre alta e/ou sintomas gastrointestinais. Dois dos passageiros precisam de atendimento médico urgente, enquanto o terceiro é a pessoa que estava junto ao caso 1.
Quem está no cruzeiro e onde eles vão desembarcar
São 149 pessoas a bordo, representando 23 nacionalidades diferentes. No momento, elas estão em isolamento dentro do navio. Um dos passageiros compartilhou nas redes sociais a entrega de mantimentos por equipes de Cabo Verde.
Cape Verde officials delivering us supplies as we sit stranded 3km offshore of Praia currently on MV Hondius.
Also a few bit distant Cape Verde Petrels passing as a bonus pic.twitter.com/HmWfRTJOz0— Dale Robert Middleton (@DaleHornsea) May 4, 2026
Nessa terça-feira (5/5), o governo da Espanha afirmou ter concordado em acolher os passageiros do navio nas Ilhas Canárias. A viagem deve durar de três a quatro dias.
O que é o hantavírus
O hantavírus é uma doença respiratória rara. A principal via de transmissão é por meio de contato com excreções (urina, fezes, saliva) de roedores silvestres ou superfícies contaminadas. Mas, embora rara, a transmissão entre pessoas foi relatada com o vírus em contatos próximos e prolongados.
O período de incubação é de, geralmente, duas a quatro semanas. Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e problemas gastrointestinais. Mas pode evoluir para dificuldade respiratória e hipotensão.
Não existem vacinas ou tratamentos específicos. A sobrevida aumenta com o suporte médico precoce e internação em UTIs. O risco global é atualmente avaliado pela OMS como baixo, embora dependa de fatores ecológicos que afetam as populações de roedores.
