Surto em cruzeiro: OMS suspeita de contágio humano de hantavírus

A OMS informou que, pelo período de incubação do hantavírus, a infecção provavelmente ocorreu fora do navio

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1 de 1 Surto em cruzeiro: OMS suspeita de contágio humano de hantavírus - Metrópoles - Foto: Reprodução/X

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira (5/4) que suspeita de transmissão inter-humana no foco de hantavírus identificado a bordo do navio de cruzeiro holandês Hondius, mantido ao largo da costa de Cabo Verde, no Atlântico.

No total, dois casos da doença foram confirmados e outros cinco seguem sob investigação, entre cerca de 150 pessoas que estavam a bordo. A OMS informou que, pelo período de incubação do hantavírus, a infecção provavelmente ocorreu fora do navio.

Entre os sete casos, três passageiros morreram — um casal de holandeses e um alemão. Uma pessoa apresenta sintomas respiratórios agudos graves, enquanto três manifestaram sintomas leves, segundo comunicado divulgado pela OMS na noite de segunda‑feira.

Não existem medicamentos específicos para essa doença. O tratamento se baseia em cuidados de suporte, incluindo o uso de respiradores para os pacientes mais gravemente afetados.

Passageiros teriam entrado no navio infectados

Considerando a duração do período de incubação do hantavírus, que pode variar de uma a seis semanas, presumimos que eles tenham sido infectados fora do navio” e “acreditamos que pode haver transmissão entre pessoas que tiveram contato muito próximo”, afirmou aos jornalistas Maria Van Kerkhove, diretora interina do departamento de prevenção e preparo para epidemias e pandemias da OMS

Segundo a organização, uma terceira pessoa a bordo passou a apresentar sintomas, elevando para três o número de passageiros que relataram febre alta e/ou sintomas gastrointestinais e permanecem no navio.

As demais pessoas afetadas haviam sido evacuadas ou apresentam quadros mais leves.

Atualmente, 149 passageiros e membros da tripulação continuam impedidos de desembarcar. Por precaução, as autoridades de Cabo Verde solicitaram que a embarcação, que partiu da Argentina em março, permanecesse retida em águas internacionais.

A bordo, os ocupantes estão submetidos a protocolos sanitários rigorosos, incluindo medidas de isolamento.

A Espanha não tomará “nenhuma decisão” sobre a atracação do navio de cruzeiro atingido por um possível foco de hantavírus enquanto “os dados epidemiológicos” não forem analisados, informou o Ministério da Saúde espanhol, em declaração que aparentemente contraria a OMS, que havia afirmado mais cedo nesta terça-feira (5) que o país havia aceitado a atracação do navio nas Ilhas Canárias.

“Com base nos dados epidemiológicos que serão coletados no navio durante sua passagem por Cabo Verde, será decidida qual escala é a mais adequada. Até lá, o Ministério da Saúde não adotará nenhuma decisão, conforme comunicamos à Organização Mundial da Saúde”, escreveu a pasta na rede X.

“Foi solicitado aos passageiros que permaneçam em suas cabines e limitem os riscos, enquanto medidas de desinfecção, entre outras, estão sendo adotadas”, informou a OMS em comunicado divulgado na segunda‑feira.

Busca por passageiros de voo

A OMS anunciou também que iniciou esforços para localizar os passageiros de um voo comercial que transportou uma turista holandesa infectada com hantavírus. A mulher havia sido evacuada do navio para a ilha de Santa Helena e, de lá, seguiu para Joanesburgo, na África do Sul, onde morreu em um hospital.

Segundo a organização, trata‑se de uma neerlandesa de 69 anos, cujo marido, de 70 anos, havia morrido anteriormente a bordo do navio. Ela foi desembarcada em Santa Helena em 24 de abril, apresentando “sintomas gastrointestinais”, e embarcou no dia seguinte para a África do Sul. A morte ocorreu em 26 de abril, e a infecção por hantavírus foi confirmada oficialmente na segunda‑feira.

“Buscas foram iniciadas para localizar os passageiros desse voo”, informou a OMS, sem divulgar quantas pessoas estavam a bordo da aeronave.

Cronologia das mortes e casos graves

O primeiro passageiro afetado, um cidadão holandês, morreu em 11 de abril, quando o Hondius navegava pelo Atlântico Sul. Seu corpo permaneceu a bordo até 24 de abril, quando foi desembarcado na ilha de Santa Helena, com a esposa acompanhando o traslado para repatriação, segundo a operadora Oceanwide Expeditions.

Três dias depois, a empresa responsável pelo cruzeiro, que percorre algumas das regiões mais remotas do planeta, incluindo arquipélagos da Antártida, foi informada de que a esposa do passageiro havia adoecido e morreu posteriormente. As autoridades dos Países Baixos confirmaram que ela também testou positivo para o hantavírus.

Em 27 de abril, outro passageiro, um britânico, ficou gravemente doente e foi evacuado para a África do Sul, onde permanece internado em uma unidade de terapia intensiva, em estado crítico, porém estável, segundo a operadora. As autoridades sul‑africanas confirmaram que ele também está infectado.

Outro passageiro, um alemão, morreu em 2 de maio, mas até o momento a causa da morte ainda não foi determinada.

Contexto sanitário

O hantavírus é normalmente transmitido por contato com urina, saliva ou fezes de roedores infectados. A OMS ressalta que o contágio entre humanos é considerado raro, mas a suspeita levantada neste caso elevou o nível de atenção internacional sobre o surto no navio.

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