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Em cúpula, Milei critica o Mercosul e Lula diz que bloco é "refúgio"

Argentina passa o bastão para o Brasil, que ficará na presidência do bloco até dezembro. Lula está em Buenos Aires

, Repórter de Mundo03/07/2025 10:57, atualizado 03/07/2025 11:35
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Ricardo Stuckert/PR
Foto oficial da 66ª Cúpula de Presidentes do Mercosul

Buenos Aires – Representando o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assume, nesta quinta-feira (3/7), a presidência do Mercosul, bloco econômico que reúne países da América do Sul. Durante a reunião de cúpula do bloco, o petista disse que, quando o mundo está instável, o Mercosul é um local seguro para ampliar as negociações econômicas.

“Quando o mundo se mostra instável e ameaçador, é natural buscar refúgio onde nos sentimos seguros. Para o Brasil, o Mercosul é esse lugar. Ao longo de mais de três décadas, erguemos uma casa com bases sólidas, capaz de resistir à força das intempéries. Conseguimos criar uma rede de acordos que se estendeu aos Estados associados”, discursou o presidente brasileiro.

Lula seguiu dizendo que “toda a América do Sul se tornou uma área de livre comércio, baseada em regras claras e equilibradas. Estar no Mercosul nos protege. Nossa Tarifa Externa Comum nos blinda contra guerras comerciais alheias. Nossa robustez institucional nos credencia perante o mundo como parceiros confiáveis”.

Ainda segundo o presidente brasileiro, “não é à toa que um número cada vez maior de países e blocos estejam interessados em se aproximar de nós. Atestei esse interesse pessoalmente nos contatos que mantive com líderes de diversas regiões”.

Lula também chamou a atenção para desafios a serem enfrentados pelo bloco, como o combate à mudança do clima e o crime organizado na região. “As consequências do aquecimento global já se fazem sentir no Cone Sul. A região sofre com estiagens e enchentes que causam perdas humanas, destruição de infraestrutura e quebras de safra. A realidade está se movendo mais rápido que o Acordo de Paris, expondo a falácia do negacionismo climático”, destacou.

Em relação ao crime organizado, Lula pediu cooperação para coibir a atuação do que chamou de “multinacionais do crime”. “Grupos criminosos colocam em xeque a autoridade do Estado, disseminando violência, corrupção e destruição ambiental. Não venceremos essas verdadeiras multinacionais do crime sem atuar de forma coordenada.”

Críticas de Milei

Antes de Lula, o argentino Javier Milei discursou ao se despedir da presidência rotativa. E ele criticou o bloco econômico. “Como eu já disse, a Argentina não pode esperar. Precisamos de mais comércio, mais atividade econômica, mais investimentos e mais trabalho de maneira urgente. E por isso, precisamos de mais liberdade e também de maneira urgente. A nossa nação decidiu deixar de lado décadas de estagnação e encarar o caminho do progresso. Se você não está nas mãos dos sócios do bloco, se queremos ajudar a empreender o caminho, nós decidimos empreender.”

No discurso, o presidente argentino também criticou prisões ilegais na Venezuela e exigiu a libertação de opositores do regime de Nicolás Maduro.

Milei também defendeu a abertura de relação comerciais do bloco. “Temos que deixar de pensar no Mercosul como um escudo que nos protege do mundo e começar a pensá-lo como uma lança que nos permita penetrar de maneira efetiva nos mercados.”

Presidência brasileira

O Brasil irá coordenar o Mercosul até dezembro deste ano. Durante a presidência brasileira a expectativa é de ratificar dois acordos importantes, um com a União Europeia e outro com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que reúne quatro países do continente.

O governo brasileiro também deverá anunciar a segunda fase do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM 2), para financiar obras de infraestrutura.

O Mercosul conta com a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai como membros plenos. Já a Bolívia está em um processo de integração, que deve ser concluído nos próximos anos.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o comércio brasileiro com parceiros do Mercosul chegou a US$ 17,5 bilhões de janeiro a maio de 2025.