Efeito Trump e vácuo de poder fazem a Rússia se aproximar da África

Governo da Rússia anunciou que pretende abrir cinco novas missões diplomáticas em países da África

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1 de 1 Imagem colorida mostra Putin, presidente da Rússia, usando casaco G20 - Metrópoles - Foto: Contributor/Getty Images

O governo de Vladimir Putin anunciou uma nova medida que busca aumentar a presença da Rússia na África, em meio às incertezas globais causadas pelo novo governo dos Estados Unidos. A este cenário soma-se também o afastamento de países africanos de antigas colônias e o isolamento russo em relação a potências da Europa. 


O que está acontecendo

  • Desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia se afastou cada vez mais de países da Europa. 
  • Ao mesmo passo, países da África se voltaram contra antigas colônias, e mudaram o tabuleiro político no continente. 
  • Com isso, o governo de Vladimir Putin buscou se aproximar de nações africanas e aumentar a presença russa na África, conhecida pela abundância de recursos minerais e naturais.

Na terça-feira (4/2), o chanceler Sergey Lavrov participou de um evento que marcou a inauguração do Departamento da África Subaariana. A divisão, anunciada em dezembro de 2024, visa aumentar a interação russa com países do continente africano.

Para Lavrov, a criação do departamento reflete “a importância que a liderança russa atribui ao desenvolvimento” das relações entre Moscou e países da África.

“Essa prioridade está consagrada no Conceito de Política Externa Russa, que foi aprovado pelo presidente Putin há um ano e meio, e está se tornando cada vez mais significativa em nossas ações práticas na arena internacional”, declarou o chefe da diplomacia de Putin.
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O Estado Islâmico continua sendo o grupo extremista que mais mata ao redor do mundo
A mudança fez com que o Ocidente voltasse os olhos para a região
Diversas tropas estrangeiras foram enviadas ao Sahel para combater os insurgentes islâmicos
O Sahel é uma faixa localizada na África que corta alguns países do continente
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O Sahel é uma faixa localizada na África que corta alguns países do continente

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O Estado Islâmico continua sendo o grupo extremista que mais mata ao redor do mundo
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O Estado Islâmico continua sendo o grupo extremista que mais mata ao redor do mundo

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A mudança fez com que o Ocidente voltasse os olhos para a região
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Diversas tropas estrangeiras foram enviadas ao Sahel para combater os insurgentes islâmicos
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Diversas tropas estrangeiras foram enviadas ao Sahel para combater os insurgentes islâmicos

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Países viram as costas para antigas colônias

Há alguns anos, países africanos passaram a expressar sentimentos anti-coloniais contra a França, que mantinha influência no continente, apesar da independência das nações. Os principais casos aconteceram na região do Sahel, alvo de uma onda de golpes militares e mudanças políticas que alteraram o xadrez geopolítico da região.

Até o momento, Mali, Níger, Chade, República Centro-Africana, Burkina Faso, Senegal e Costa do Marfim pediram que tropas francesas saíssem de seus territórios. Os militares europeus estavam nos países sob o pretexto de combater a ameaça terrorista de grupos fundamentalistas como o Estado Islâmico (Isis), que migrou para a África após perder força no Oriente Médio.

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Tropas da França foram expulsas de ex-colônias na África após uma série de golpes militares e mudanças políticas em países do continente

Com o vácuo criado após a França perder influência na região, a Rússia buscou se aproximar de nações que viraram as costas para o Ocidente. Em 2023, o presidente russo, Vladimir Putin, assinou um acordo militar com 40 países da África, como uma forma de estreitar laços diplomáticos e a presença russa no continente.

Por meio do antigo Grupo Wagner, o governo russo já havia entrado em alguns países instáveis na região, como a República Centro-Africana. Após a rebelião do mercenários contra Moscou, em 2023, e a posterior morte do ex-líder do grupo, Yevgeny Prigozhin, a organização passou a ser parte da rede estatal da Rússia e também foi enviada para o Níger sob o nome de “África Corps”. 

Além do aspecto militar, Lavrov declarou na inauguração do novo departamento voltado para a África que Moscou busca atuar no continente também diplomaticamente. Segundo o chefe da diplomacia russa, embaixadas do país no Níger e em Serra Leoa devem voltar a funcionar em breve.

Outras missões diplomáticas também devem ser criadas na Gâmbia, Togo, Libéria Comores e no Sudão do Sul.

“Os africanos estão desempenhando um papel cada vez mais significativo na política global e na economia, e participam amplamente no enfrentamento de questões internacionais. A voz coletiva dos países africanos nos assuntos mundiais está ficando mais alta e clara. A Rússia defende consistentemente o fortalecimento da posição da África no mundo multipolar que está objetivamente tomando forma diante de nossos olhos.”, declarou Lavrov.

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