Eduardo diz não ter medo de ação dos democratas contra ele e Flávio nos EUA.
Deputado federal cassado disse que está no país norte-americano de forma regular, assim como seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL)
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que não teme eventuais questionamentos e ações de parlamentares democratas contra ele e o irmão Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, após a vitória expressiva do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato, as midterms. Essa foi a primeira manifestação pública de Eduardo sobre o resultado das eleições legislativas no país.
A declaração foi dada em entrevista ao influenciador de direita norte-americano Joey Mannarino, antes da participação de Eduardo na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Mar-a-Lago, resort de luxo do presidente dos EUA, Donald Trump, na Flórida.
“Eles vão tentar [medidas contra nós], mas não cabe ao Congresso aqui nos Estados Unidos revogar vistos ou cidadanias. Então, não tenho muito medo disso”, declarou Eduardo.
O ex-parlamentar disse, ainda, que está no país de forma regular, assim como seu irmão, que fugiu do Brasil dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais.
Derrota expressiva de Trump no Congresso
- Com a conquista da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, a oposição ao presidente Trump terá mais liberdade para fiscalizar o governo e abrir investigações sobre a atuação de autoridades estadunidenses em casos envolvendo o senador e Eduardo.
- Os democratas conquistaram pelo menos 18 cadeiras a mais na Câmara e sete no Senado, revertendo a maioria republicana nas duas Casas.
- Com isso, o partido terá o controle do Legislativo federal a partir de janeiro de 2027, ano em que os novos parlamentares tomam posse na Casas.
- Agora, a nova composição do Congresso pode abrir caminho para uma fiscalização mais rigorosa da relação entre integrantes do governo Trump e integrantes da família Bolsonaro.
Parlamentares articulam ação contra família Bolsonaro
A deputada democrata Pramila Jayapal é uma das signatárias de uma carta enviada por 25 congressistas dos EUA ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando explicações sobre a fuga e a entrada de Flávio no território norte-americano.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMarco Rubio e o Departamento de Estado têm até o dia 13 de novembro para analisar as 15 perguntas feitas na carta, responder formalmente por escrito e disponibilizar funcionários para prestar esclarecimentos aos parlamentares.
A vitória dos democratas, porém, não significa que os irmãos serão deportados. O controle do Congresso não dá aos parlamentares poder direto para determinar a deportação de estrangeiros. Isso, porque a política migratória é conduzida pelo Poder Executivo, por meio de órgãos como o Departamento de Segurança Interna.
Estadia nos EUA
Flávio chegou aos EUA na semana passada, após fugir do Brasil depois da derrota na disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. A saída do país ocorreu via Argentina e contrariou determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele entregasse os passaportes.
No Brasil, o senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, em apurações que envolvem sua relação com o advogado Willer Tomaz e o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Já Eduardo vive nos EUA desde fevereiro de 2025. O deputado federal cassado foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo. Antes da eleição, ele defendeu publicamente que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota nas urnas.
