
Eduardo Bolsonaro sugere que STF pode não reconhecer vitória de Flávio
Ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que EUA poderiam sancionar ministros caso Corte conteste eventual vitória de Flávio Bolsonaro

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (17/9), em Washington, que o Supremo Tribunal Federal (STF) poderia não reconhecer uma eventual vitória do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), na eleição presidencial de 2026. Segundo Eduardo, os Estados Unidos poderiam reagir com sanções individuais contra ministros da Corte caso isso ocorresse.
A declaração foi feita durante uma coletiva nos arredores do Departamento de Estado dos EUA, ao lado do empresário e comentarista Paulo Figueiredo. Os dois afirmaram ter realizado reuniões com autoridades da Casa Branca e do Departamento de Estado, mas não informaram com quem conversaram.
“Se eles [ministros do STF] entenderem que a eleição do Flávio é um ato de golpismo, os EUA podem perfeitamente não reconhecer a eleição brasileira e sancionar individualmente esses ministros”, disse Eduardo.
A declaração ocorre em meio à repercussão de um documento do governo de Donald Trump que estabelecia, entre as exigências apresentadas ao Brasil em negociações comerciais, o compromisso com eleições “livres e justas” e a não detenção ou restrição arbitrária da participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral de 2026.
O documento foi elaborado durante negociações entre os dois países e veio a público nesta semana.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEduardo afirmou que vê no documento uma abertura para a atuação dos Estados Unidos em questões relacionadas ao processo eleitoral brasileiro. Ele também disse que a comitiva tem defendido em Washington a adoção de novas sanções contra integrantes do STF com base na Lei Global Magnitsky.
Eduardo cita julgamento no STF
Na avaliação apresentada pelo filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), uma eventual contestação ao resultado eleitoral poderia ser construída a partir de decisões e conflitos recentes dentro do Supremo. Eduardo citou as críticas feitas pelos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes ao ministro André Mendonça durante a sessão que discutiu a abertura de uma investigação relacionada ao caso Banco Master.
A partir desse episódio, Eduardo disse enxergar uma possível preparação de narrativa para questionar uma eventual vitória de Flávio. Ele também comparou a hipótese ao caso da Romênia, onde a eleição presidencial de 2024 foi anulada pela Justiça do país após alegações de interferência estrangeira.
A comparação foi apresentada por Eduardo como uma hipótese. Não há, nas declarações citadas, indicação de que o STF tenha anunciado qualquer intenção de anular uma eventual eleição vencida por Flávio Bolsonaro.
Reuniões em Washington
- Eduardo e Paulo Figueiredo disseram que as reuniões em Washington trataram do STF, do combate ao tráfico de drogas e da relação entre Brasil e EUA.
- Ele afirmou que, se Flávio for eleito, o Brasil poderia aderir ao Escudo das Américas.
- A declaração ocorre após os EUA aplicarem e depois retirarem sanções contra Alexandre de Moraes.
- Eduardo defende novas medidas contra o ministro com base na Lei Global Magnitsky.
Flávio nega ajuda dos EUA
Indo na contramão do irmão mais novo, Flávio Bolsonaro negou nesta quinta-feira que exista negociação com o governo norte-americano relacionada à eleição brasileira. O senador afirmou que a disputa eleitoral será resolvida no Brasil e rejeitou a ideia de que os Estados Unidos estejam oferecendo apoio à sua candidatura.
“Não existe ajuda do governo americano. Essa narrativa não vai colar, desculpa. Quem resolve a eleição é a gente aqui”, afirmou.









