Delegação do Catar chega a Teerã para discutir acordo entre Irã e EUA
Delegação do Catar, um dos países mediadores, chegou a Teerã para discutir os últimos desdobramentos do acordo entre Irã e EUA

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos assinariam neste domingo (14/6) um acordo com o Irã para pôr fim ao conflito no Oriente Médio e reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz. A informação, porém, ainda não foi confirmada por Teerã.
Após uma semana marcada por novos ataques entre a República Islâmica, de um lado, e Estados Unidos e Israel, de outro, alimentando temores de uma escalada regional, os dois países afirmaram ter feito avanços significativos rumo a um compromisso.
No entanto, as informações divulgadas por ambas as partes sobre esse possível acordo inicial — que abriria caminho para negociações sobre detalhes técnicos altamente controversos — ainda apresentam divergências, enquanto o próprio cronograma permanece incerto.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país também atua como mediador, declarou no sábado esperar a “finalização” do acordo “nas próximas 24 horas” e disse preparar uma “assinatura eletrônica” antes de discussões técnicas previstas para a próxima semana.
Trump, que já anunciou diversas vezes a iminência de um acordo sem que isso se concretizasse, voltou a afirmar que a assinatura estava prevista para domingo, dia em que completa 80 anos.
“Assim que for assinado, o Estreito de Ormuz estará ABERTO PARA TODOS”, escreveu o presidente americano em sua rede social Truth Social, acrescentando que os iranianos “não querem mais uma arma nuclear”.
A diplomacia iraniana, por sua vez, mencionou no sábado a possibilidade de um acordo “nos próximos dias”, mas não neste domingo, segundo a agência estatal Irna.
A visita da delegação catariana tem como objetivo “examinar os últimos acontecimentos relacionados ao processo diplomático”, informou a agência iraniana Tasnim.
Algumas das concessões discutidas provocaram reações negativas entre líderes conservadores iranianos. No sábado à noite, uma agência de notícias iraniana divulgou imagens de dezenas de manifestantes entoando palavras de ordem contra o ministro das Relações Exteriores.
Urânio e sanções
Sob pressão interna para encerrar um conflito impopular, Donald Trump também deverá enfrentar nos próximos dias questionamentos de líderes de grandes potências, alguns dos quais não esconderam seu descontentamento por sofrerem as consequências de uma intervenção militar da qual não participaram.
O presidente americano participará de segunda a quarta-feira da cúpula do G7, na França, que deverá ser amplamente dominada pelo conflito desencadeado pelos bombardeios americano-israelenses de 28 de fevereiro. A guerra incendiou o Oriente Médio, deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.
Desde a entrada em vigor de um cessar-fogo em 8 de abril, Washington e Teerã tentam chegar a um acordo, mas as negociações esbarraram em diversos pontos de divergência: o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz — crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos e fertilizantes agrícolas —, a suspensão das sanções contra Teerã e a inclusão do Líbano no entendimento.
Segundo o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, o texto em discussão prevê o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e uma nova forma de gestão do Estreito de Ormuz, controlado por Teerã desde o início da guerra.
Na sexta-feira, a agência iraniana Mehr divulgou um documento apresentado como um esboço de protocolo com 14 pontos. O texto inclui o direito do Irã de enriquecer urânio e a rápida liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior, uma exigência central da República Islâmica, sufocada economicamente pelas sanções.
Diluição do urânio
Segundo Trump, os iranianos — que negam buscar armas nucleares, como afirmam Estados Unidos e Israel — “não querem mais uma arma nuclear”. O presidente americano acrescentou que, quando a situação estiver estabilizada, os Estados Unidos irão recuperar o material nuclear armazenado em instalações subterrâneas para diluição e destruição “no Irã ou nos Estados Unidos”.
Em relação ao Líbano, um alto funcionário americano informou na sexta-feira que o país está incluído nas negociações, como exigia Teerã. Anteriormente, Washington havia afirmado que pretendia tratar essa questão separadamente.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah lançou ataques contra Israel em apoio ao Irã. Desde então, Israel intensificou os bombardeios contra o país vizinho, afirmando que pretende “eliminar” o movimento xiita, que por sua vez continua atacando posições e território israelenses.
Neste domingo, o Exército israelense informou que dois drones lançados a partir do Líbano atingiram território israelense sem provocar vítimas. Em resposta, dois ministros da extrema direita defenderam ataques contra os subúrbios ao sul de Beirute, reduto do Hezbollah.
As Forças Armadas israelenses também emitiram ordens de evacuação para cerca de 30 vilarejos no sul do Líbano antes de bombardeios previstos contra posições do grupo. Segundo autoridades libanesas, mais de 3.700 pessoas morreram em ataques israelenses desde o início de março.
Leia outras reportagens em RFI Brasil, parceira do Metrópoles.


