De comediante a presidente da Ucrânia: conheça a história de Zelensky

Presidente da Ucrânia atuava como comediante em uma série chamada "Servo do Povo". A vida imitou a ficção, e ele foi eleito em 2019

atualizado 24/02/2022 20:47

Volodymyr ZelenskyReprodução

Volodymyr Olexandrovytch Zelensky apareceu para o mundo nos últimos dias devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia. O presidente ucraniano, eleito em 2019, entrou para a política quase por acaso. Zelensky era roteirista, ator, comediante e produtor cinematográfico.

O atual presidente, embora seja formado em direito, e tenha atuação e discurso forte no centro do conflito, ficou conhecido pelo povo ucraniano após interpretar o personagem principal de uma série de televisão.

Zelensky era o presidente da Ucrânia em um programa de sátira chamado “Servo do Povo”. Ele vivia um professor de história, com cerca de 30 anos, grosso e revoltado, e acabou viralizando em um vídeo contra a corrupção.

Em uma das suas atuações, apoiou o exército ucraniano, dizendo: “Obrigado por nos defenderem destes diabos”. O vídeo viralizou.

O então “Servo do Povo” na televisão se transportou para realidade. Nas eleições da Ucrânia, o comediante recebeu 73% dos votos no segundo turno. Ele derrotou o então presidente, Petro Poroshenko, que é bilionário.

O partido político de Zelensky, inclusive, foi criado com base no programa de TV: “Servo do Povo”.

Formação e experiência

O atual presidente ucraniano nasceu no sudeste da Ucrânia e é filho de pais judeus. Se graduou em direito na Universidade Nacional Econômica de Kiev. Porém nunca atuou como advogado, iniciando sua carreira artística aos 17 anos.

Surpresa

Zelensky foi visto com descaso pela oposição e com desconfiança no cenário internacional devido à sua origem e por ter sido considerado “voto de protesto”. No entanto, ao assumir a presidência, realizou mudanças inesperadas. Começou dissolvendo o parlamento para renová-lo, e prometeu manter o diálogo com a Rússia a fim de resolver conflitos separatistas.

Agora, no centro da crise mundial, com estopim nas regiões de Donetsk e Lugansk, Zelensky tem o respeito do Congresso.

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Nesta quinta, ele colocou o país sob lei marcial, que suspende uma série de direitos e dá mais poder ao governo para tomar decisões emergenciais exigidas por uma situação como a invasão de um país hostil.

“Estamos impondo a lei marcial em todos os territórios de nossa nação. Há pouco, conversei com o presidente Joe Biden. Os Estados Unidos já começaram a mobilizar apoio internacional. Hoje, o que você precisa é de calma. Fique em casa, se possível”, disse o presidente, em vídeo postado nas redes sociais.

E anunciou uma coalizão militar internacional contra o presidente Vladimir Putin, após a Rússia invadir o país do Leste Europeu.

O governo ucraniano afirma ter sofrido ao menos 203 ataques russos. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Defesa da Ucrânia. As autoridades de segurança ucranianas garantem que há combates em quase todo o território e que os confrontos militares são intensos. No começa da manhã, soldados russos teriam sido feitos prisioneiros.

População armada

Além disso, em pronunciamento, o presidente ucraniano convocou militares da reserva para o combate e se comprometeu a entregar armas para quem se dispusesse a lutar pela soberania do país.

“Nossos militares precisam do apoio de nosso povo. Nosso exército é feito de pessoas poderosas e precisam do apoio de nosso povo. Os militares estão engajados em uma luta pesada, combatendo ataques no norte e no leste e no sul do país.”

“Para defender a nossa soberania, cada cidadão da Ucrânia deve decidir o futuro de nosso povo. Qualquer pessoa com experiência militar que puder ajudar na defesa da Ucrânia deve se reportar aos postos militares”, ordenou. “Vamos prover armas para todos que quiserem. O inimigo sofreu pesadas perdas e sofrerá ainda mais. Eles vieram para nossa terra.”

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