CIA usou tecnologia secreta inédita para achar piloto abatido no Irã
O Ghost Murmur utiliza magnetometria quântica capaz de localizar o batimento cardíaco do soldado em meio ao deserto iraniano
atualizado
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O segundo aviador norte-americano do caça F-15E, abatido por um míssil iraniano em 3 de abril, foi resgatado no sul do país, no último domingo (5/4), graças a um dispositivo secreto que carregava consigo, com tecnologia altamente sofisticada de localização, usada pela primeira vez em campo pela CIA.
Chamada de Ghost Murmur (“murmur” é um termo clínico para um ritmo cardíaco), a tecnologia utiliza magnetometria quântica de longo alcance para encontrar a assinatura eletromagnética de um batimento cardíaco humano.
Depois, essa ferramenta combina os dados com um software de inteligência artificial para isolar a assinatura do ruído de fundo, conforme revelou o jornal The New York Post.
“Normalmente, esse sinal é tão fraco que só pode ser medido em ambiente hospitalar, com sensores pressionados quase contra o peito”, disse uma fonte ao jornal.
“Mas os avanços em um campo conhecido como magnetometria quântica — especificamente, sensores construídos em torno de defeitos microscópicos em diamantes sintéticos — aparentemente, tornaram possível detectar esses sinais a distâncias dramaticamente maiores.”
O local da queda foi propício para o uso e sucesso do Ghost Murmur, pois tinha baixa interferência eletromagnética, já que não havia quase nenhuma assinatura humana concorrente.
Além disso, o contraste térmico entre o corpo vivo do soldado e o solo frio do deserto à noite forneceu aos operadores uma camada de confirmação secundária.
“É como ouvir uma voz em um estádio, só que o estádio são mil quilômetros quadrados de deserto. Nas condições certas, se o seu coração estiver batendo, nós o encontraremos”, finalizou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou a tecnologia, sem nomeá-la propriamente, na coletiva de imprensa que deu nessa segunda-feira (6/4), ao lado do diretor da CIA, John Ratcliffe.
Ele disse que o aviador, oficial de sistemas de armas da Força Aérea, conhecido publicamente apenas como “Cara 44 Bravo”, evitou a captura por quase 48 horas em terra, com a cabeça a prêmio, porque portava algo semelhante a um pager “muito sofisticado”.
A megaoperação de resgate mobilizou centenas de soldados e dezenas de aeronaves dos EUA.
“Quando eles saem para essas missões, certificam-se de ter bastante espaço nas baterias e de que elas estejam em boas condições. Funcionou muito bem… surpreendentemente e salvou sua vida”, disse Trump. “Ele escalou paredões rochosos, sangrando bastante, tratou seus próprios ferimentos e contatou as forças americanas para transmitir sua localização.”
