Celac na Colômbia: Lula critica guerra, Trump e pede apoio à África

Em discurso na Celac, presidente Lula critica conflitos globais, cita Trump e defende cooperação entre América Latina e África

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1 de 1 lula-visita-ramaphosa - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez, neste sábado (21/3), em Bogotá, na Colômbia, um discurso marcado por críticas à política internacional dos Estados Unidos, alertas sobre o avanço dos conflitos globais e uma defesa da cooperação entre América Latina e África.

A fala ocorreu durante o Fórum de Alto Nível Celac-África, encontro que reúne líderes das duas regiões em um contexto de crescente fragmentação geopolítica. Durante sua participação, Lula mencionou indiretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e criticou a lógica de intervenções militares no cenário internacional.

“Não há, nem na Carta da ONU nem na Bíblia, nada que diga que um presidente pode organizar a invasão de um país a outro”, afirmou.

O petista também alertou para o aumento das tensões globais e disse que o mundo vive hoje um dos períodos mais conflituosos desde a Segunda Guerra Mundial. “Estou extremamente preocupado com o que está acontecendo no mundo de hoje”, declarou.

Cooperação com a África

Lula destacou a importância da aproximação entre América Latina e África, ressaltando vínculos históricos e culturais entre as regiões. Ele citou Salvador como a cidade com maior população negra fora do continente africano e afirmou que ainda existe uma “dívida histórica” em relação ao período da escravidão.

Segundo o presidente, iniciativas como políticas de cotas no Brasil representam avanços, mas ainda são insuficientes diante dos impactos de mais de 350 anos de escravidão.

O discurso também reforçou a necessidade de ampliar parcerias econômicas e tecnológicas entre os continentes, com foco em desenvolvimento sustentável e redução de desigualdades.

Conflitos globais

Lula afirmou que guerras em regiões como Gaza, Ucrânia e Irã agravam crises econômicas e sociais no mundo inteiro. O presidente brasileiro criticou a lógica de investimentos militares em detrimento de políticas sociais, citando o alto volume de gastos globais com armamentos frente à persistência da fome e da pobreza.

“O mundo vive hoje a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial”, disse.

Ao mencionar o Irã, ele criticou a forma como conflitos internacionais são conduzidos e justificados. Ele afirmou que o Brasil aceitaria que o país enriquecesse urânio para fins pacíficos nos mesmos moldes adotados internacionalmente, mas questionou o endurecimento de sanções e bloqueios após acordos firmados. 

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Infraestrutura digital e econômico

Na área tecnológica, Lula destacou o potencial da inteligência artificial em setores como agricultura, saúde, educação e segurança. Ele defendeu investimentos em infraestrutura digital como forma de reduzir desigualdades e acelerar o desenvolvimento das regiões.

O presidente mencionou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê linhas de financiamento voltadas à cooperação internacional, incluindo projetos conjuntos e uso de infraestrutura brasileira.

“A regulação do mundo virtual não é um mecanismo de controle, é um instrumento de inclusão e proteção das pessoas”, afirmou.

No âmbito de recursos estratégicos e econômicos, o mandatário ressaltou o potencial da África e América Latina na produção de energia limpa e exploração de minerais críticos, essenciais para a transição energética global. 

Ele alertou para o risco de práticas consideradas “neoextrativistas” e defendeu que os países produtores avancem na agregação de valor às suas riquezas naturais.

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