Lula defende cooperação com África do Sul para explorar terras raras
Presidente também afirmou que investir na exploração de minerais críticos em território nacional é “questão de tomada de decisão política”
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta segunda-feira (9/3), que o Brasil e a África do Sul trabalhem juntos na exploração de terras raras e minerais críticos. O petista também afirmou que investir na exploração desses materiais em território nacional é “uma questão de tomada de decisão política”.
A declaração foi dada durante discurso ao lado do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que realiza visita de Estado ao Brasil.
“Nossos países também possuem grande potencial na área de minerais críticos, essenciais para a transição energética e digital em curso. Queremos repensar o papel da exploração dos recursos naturais e fortalecer as cadeias produtivas em nossos territórios”, disse Lula.
No discurso, Lula lembrou o passado de explorações estrangeiros aos recursos brasileiros e sul-africanos. “Chega, já levaram toda a nossa prata, já levaram todo o nosso ouro, já levaram todo o nosso diamante, já levaram todo o nosso minério de ferro, o que mais querem levar? Quando é que a gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza para nós e nós ficamos dando para os outros?”, questionou Lula.
O presidente classificou a exploração como uma decisão política. “Nós, que temos minerais críticos e terras raras, nós precisamos tirar proveito para que a gente possa fazer disso, uma forma de enriquecimento, de conhecimento, para que o nosso povo possa viver melhor”, completou o presidente.
Dirigindo-se a Ramaphosa, o chefe do Executivo brasileiro argumentou que é necessário ter “um levantamento concreto” do reservatório de minerais críticos e de terras raras na África do Sul. Lula também declarou que, até agora, o Brasil conhece apenas o potencial de 30% do seu território e que “nós temos muita coisa”.
“E já está avisado ao mundo de que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro: a gente vender o minério e comprar produto acabado pagando 100 vezes mais caro”, afirmou o titular do Planalto.
O governo brasileiro busca uma estratégia de “universalidade” em relação ao tema, mantendo o país aberto a negociações com diferentes parceiros e evitando exclusividade como fornecedor. A exigência, porém, é que o processamento das matérias-primas ocorra em solo brasileiro, para desenvolver a indústria nacional e gerar empregos e riqueza no país.
No fim de fevereiro, durante visita oficial de Estado à Índia, Lula e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, assinaram um memorando de entendimento sobre terras raras e minerais críticos, consolidando uma parceria estratégica que visa fortalecer a cooperação tecnológica, econômica e ambiental entre os dois países. O acordo estabelece cooperação exploratória para estimular o aproveitamento desses recursos, mas não define detalhes, prazos ou metas, nem assegura exclusividade de produção com o país asiático.










