Caso Epstein: prazo para divulgação de arquivos acaba nesta 6ª (19/12)

Departamento de Justiça dos EUA deve tornar públicos documentos sobre o financista sexual Jeffrey Epstein, acumulados por mais de uma década

atualizado

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O Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos tem até esta sexta-feira (19/12) para divulgar a maior parte dos arquivos relacionados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, conforme exige a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada por Donald Trump em novembro.

A legislação, aprovada no Congresso, obriga a liberação de registros, e-mails, transcrições, comunicações e outros materiais de investigação não classificados, exceto em casos específicos que possam prejudicar investigações em andamento, comprometer a segurança nacional ou expor informações de vítimas.

Desde a sanção da lei, o governo Trump tem mantido silêncio sobre o andamento da divulgação. No início deste mês, parlamentares bipartidários solicitaram à procuradora-geral Pam Bondi um relatório de progresso, que não foi entregue. Dois senadores democratas ameaçaram bloquear nomeações civis caso o Departamento de Justiça descumpra a lei, alegando que o governo estaria se preparando para ignorar a legislação aprovada.

Segundo o deputado Ro Khanna, democrata da Califórnia e coautor da lei, os arquivos podem revelar a extensão das atividades criminosas de Epstein, as ligações com figuras poderosas — incluindo Trump, o ex-príncipe Andrew e outras personalidades — e como o bilionário conseguiu escapar da justiça por décadas.

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Jeffrey Epstein e Noam Chomsky
"Lolita", de Vladimir Nabokov, escrita em diferentes partes do corpo
Bill Gates posa para uma fotografia com uma mulher
Steve Bannon, um dos conselheiros mais próximos de Trump durante a campanha eleitoral de 2016 e Epstein
O financista mantinha uma teia de exploração sexual de menores de idade
Epstein e o cineasta Woody Allen
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Epstein e o cineasta Woody Allen

Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos/Divulgação
Jeffrey Epstein e Noam Chomsky
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Jeffrey Epstein e Noam Chomsky

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"Lolita", de Vladimir Nabokov, escrita em diferentes partes do corpo
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"Lolita", de Vladimir Nabokov, escrita em diferentes partes do corpo

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Bill Gates posa para uma fotografia com uma mulher
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Bill Gates posa para uma fotografia com uma mulher

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Steve Bannon, um dos conselheiros mais próximos de Trump durante a campanha eleitoral de 2016 e Epstein
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Steve Bannon, um dos conselheiros mais próximos de Trump durante a campanha eleitoral de 2016 e Epstein

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O financista mantinha uma teia de exploração sexual de menores de idade
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O financista mantinha uma teia de exploração sexual de menores de idade

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Jeffrey Epstein e Noam Chomsky
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Jeffrey Epstein e Noam Chomsky

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Epstein esteve à frente de um esquema de exploração, tráfico e abuso sexual de mulheres e menores de idade
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Epstein esteve à frente de um esquema de exploração, tráfico e abuso sexual de mulheres e menores de idade

Davidoff Studios/Getty Images
Mensagens de texto sobre o envio de meninas
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Mensagens de texto sobre o envio de meninas

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Imagem divulgada por democratas do Comitê de Supervisão da Câmara mostra um pé com uma citação de "Lolita", de Vladimir Nabokov.
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Imagem divulgada por democratas do Comitê de Supervisão da Câmara mostra um pé com uma citação de "Lolita", de Vladimir Nabokov.

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Um dos registros mostra um quadro-negro com palavras como “poder”, “engano”, “conspirações” e “político”
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Um dos registros mostra um quadro-negro com palavras como “poder”, “engano”, “conspirações” e “político”

Divulgação/Partido Democrata

Histórico do caso

Jeffrey Epstein, financista bilionário, foi condenado em 2008 por acusações de prostituição em nível estadual, após firmar um acordo secreto que lhe poupou de acusações federais, apesar de evidências de abuso sexual contra várias adolescentes.

Em 2019, foi preso novamente por crimes federais de tráfico sexual e morreu na prisão, em Nova York, em circunstâncias oficialmente classificadas como suicídio. Sua ex-namorada Ghislaine Maxwell foi condenada a 20 anos de prisão por conspiração para tráfico sexual de menores.

Ao longo de 2025, diversos documentos já foram liberados em etapas:

  • Fevereiro: Bondi anuncia a liberação inicial de cerca de 200 páginas de registros, incluindo contatos e nomes de vítimas.
  • Julho: O Wall Street Journal publica a suposta carta de Trump a Epstein e acusa o DOJ de não possuir uma lista de clientes do financista.
  • Agosto e Setembro: Transcrições de entrevistas com Maxwell e mais de 33 mil páginas de documentos de investigações anteriores são tornadas públicas pelo Congresso.
  • Novembro e Dezembro: Novos lotes de e-mails e fotos, incluindo imagens de passaportes, documentos de identidade e fotos de Epstein com figuras públicas como Bill Gates e Noam Chomsky, são divulgados pelo Comitê de Supervisão da Câmara.

Entre os documentos já tornados públicos estão mensagens que citam Trump de maneira crítica e referência a figuras políticas brasileiras, como Lula e Jair Bolsonaro, embora não haja evidência de envolvimento direto desses líderes com Epstein.


Expectativa e possíveis desdobramentos

Apesar do prazo legal, parlamentares expressam dúvidas sobre o cumprimento integral da lei. O DOJ poderia:

  • Liberar os arquivos com poucas edições;
  • Publicar os documentos com cortes significativos, alegando proteção às vítimas;
  • Alegar que uma investigação em andamento impede a divulgação completa;
  • Gerar vazamentos internos ou atrasos, com impacto político.
  • Caso os arquivos não sejam divulgados até esta sexta, Khanna alerta que os funcionários do DOJ estarão infringindo a lei e poderiam enfrentar processos judiciais, além de possível responsabilização perante o Congresso.

O advogado Jay Clayton, responsável pelo distrito que processou Epstein e Maxwell, afirmou que os registros do caso estariam prontos para divulgação, mas ressaltou respeito às decisões judiciais.

A aprovação da lei e a iminente divulgação dos arquivos colocam Trump e aliados sob pressão. Pesquisas indicam que 74% dos adultos norte-americanos desaprovam a condução do tema pelo presidente antes mesmo da nova leva de documentos.

A divulgação já provocou renúncias e questionamentos sobre nomes ligados ao caso, e evidencia fissuras no Partido Republicano, com membros cobrando transparência total enquanto outros tentam blindar o presidente.

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