Casa Branca fez dossiê contra Claus para reverter cartão de Balogun
A Casa Branca acusou, sem provas, o árbitro brasileiro de estar envolvido em manipulação de resultados em jogos no Brasil

A Casa Branca organizou uma ofensiva jurídica para tentar reverter a suspensão do atacante norte-americano Folarin Balogun e produziu um dossiê contra o árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável por sua expulsão na partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina.
Segundo o The New York Times, o documento reúne acusações sem provas de suposta manipulação de resultados envolvendo o árbitro e foi utilizado para fundamentar um recurso apresentado à Fifa.
Segundo o jornal norte-americano, o material foi produzido por advogados recrutados pelo governo americano, com participação do secretário de Comércio, Howard Lutnick, e do gestor de investimentos Scott Goodwin, doador da Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer).
Os documentos foram encaminhados à federação norte-americana e utilizados como base para um recurso apresentado à Fifa contra a suspensão automática de Balogun.
Acusações contra Raphael Claus
De acordo com a publicação, o dossiê também fazia referência a acusações de que Raphael Claus estaria envolvido em manipulação de resultados no futebol brasileiro, alegação que não foi acompanhada de provas.
Ainda segundo o jornal, Scott Goodwin levou essas acusações a integrantes do governo Trump, que mencionou o tema durante conversa com Gianni Infantino.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afirmou que Raphael Claus tem reconhecimento mundial por atuações como árbitro e que não há fatores que determinem que o juiz brasileiro é “suspeito”.
“Raphael Claus integra o quadro de árbitros profissionais da CBF, é reconhecido mundialmente como um dos melhores árbitros em atividade e possui uma trajetória marcada por excelência técnica, conduta ética e absoluto respeito ao futebol”, escreveu a instituição.
Casa Branca atuou diretamente
O jornal norte-americano afirma que Andrew Giuliani, diretor executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, participou diretamente da estratégia para tentar reverter a punição.
A defesa apresentada à Fifa sustentou que o sistema de árbitro de vídeo (VAR) teria sido utilizado de forma inadequada. Segundo os advogados, a decisão foi baseada excessivamente em imagens congeladas e em câmera lenta, o que teria levado o árbitro a interpretar a gravidade da jogada de maneira equivocada.
Trump chama árbitro de “suspeito”
Ao comentar o episódio com jornalistas na Casa Branca, Trump voltou a criticar a expulsão e classificou Raphael Claus como “suspeito”.
“Eu vi o lance, e sou uma pessoa que ama esportes. Aquilo não foi uma falta. Nem mesmo uma infração. Esse árbitro, que é um pouco suspeito se você checar o passado dele, fez uma marcação que ninguém pôde acreditar. Ele é nosso melhor jogador, ou um de nossos melhores jogadores. E ele deu um cartão vermelho para ele. Eu nem sabia o que isso significava. Sim, eu pedi uma revisão da Fifa”, afirmou o presidente norte-americano.
Fifa confirma contato, mas ressalta independência
Pouco depois das declarações de Trump, Gianni Infantino confirmou que conversou com o presidente dos Estados Unidos sobre o caso.
O dirigente, porém, destacou que decisões disciplinares são tomadas exclusivamente pelos órgãos judiciais independentes da Fifa.
“Os órgãos judiciais da FIFA são independentes. Eles operam de forma autônoma, aplicam o Código Disciplinar da FIFA e decidem os casos com base nas regulamentações aplicáveis e nos fatos específicos diante deles. Sua independência é essencial para a credibilidade e a integridade do futebol, e isso deve sempre ser respeitado”, destaca.
Segundo Infantino, ele explicou ao presidente americano que havia um processo em andamento e que o caso seria decidido pelas instâncias competentes da entidade, sem interferência política.
Balogun é liberado e Bélgica protesta
Apesar da suspensão automática prevista após o cartão vermelho, a Fifa anunciou no domingo (5/7) que Balogun estaria apto para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final da competição.
A decisão provocou reação da Uefa, que classificou a medida como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”.
A Federação Belga de Futebol informou que tentou obter esclarecimentos sobre a liberação do atacante, mas teve seu recurso rejeitado. A entidade também afirmou que pretende contestar oficialmente a utilização do jogador, independentemente do resultado da partida.


