Cápsula com Césio-137 desaparece de clínica e gera alerta na Argentina
Material radioativo usado em medicina nuclear sumiu de instituto em Rosário. Autoridades argentinas investigam desaparecimento

O governo da Argentina mobilizou autoridades de segurança e controle nuclear para investigar o desaparecimento de uma cápsula com Césio-137 de um instituto médico em Rosário, na província de Santa Fé. O caso levou à emissão de um alerta nacional por conta da natureza radioativa do material, que, em 1987, causou uma tragédia urbana em Goiânia (leia abaixo).
O desaparecimento foi comunicado à Autoridade Regulatória Nuclear (ARN) na terça-feira (16/6). Segundo a denúncia, a fonte radioativa estava armazenada em uma instalação localizada na Rua Rioja, no centro da cidade argentina.
De acordo com a agência, o material era utilizado na calibração de equipamentos de medicina nuclear. Antes do desaparecimento, a cápsula permanecia guardada dentro de um recipiente blindado de chumbo, projetado para impedir a liberação de radiação no ambiente.
Em nota, a agência informou que a cápsula contém um gel à base de Césio-137 acondicionado em um recipiente plástico transparente. Apesar de classificar o risco radiológico como baixo, o órgão alertou que qualquer pessoa que encontre o objeto não deve tocá-lo nem tentar manipulá-lo.
Sumiço do material
O sumiço foi descoberto quando técnicos do instituto tentaram acessar a fonte radioativa para realizar procedimentos de calibração em um equipamento médico. Ao verificarem o local onde o material deveria estar armazenado, constataram que ele havia desaparecido.
Após ser notificada, a ARN acionou o Sistema de Intervenção em Emergências Radiológicas (Sier) e comunicou a Agência Federal de Emergências (AFE), além da Divisão de Risco Radiológico e Nuclear da Polícia Federal Argentina.
“A ARN interveio tomando as medidas necessárias, acionando o Sier e notificando imediatamente a Agência Federal de Emergência (AFE) e a Divisão de Riscos Radiológicos e Nucleares do Corpo de Bombeiros da Polícia Federal Argentina, que repassaram a informação às equipes de resposta locais em Rosário”, diz um trecho da nota.
Investigações
Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, apenas quatro pessoas tinham autorização para acessar a área onde a cápsula era mantida. As investigações agora buscam identificar quando o desaparecimento ocorreu e quem esteve no local no dia do sumiço.
Os investigadores analisam registros internos do instituto, movimentações realizadas no laboratório e imagens de câmeras de segurança para reconstruir os acontecimentos.
A hipótese de que o material tenha sido retirado sem autorização por alguém com acesso à área também é considerada.
Acidente com material radioativo no Brasil
Quase quatro décadas após o maior acidente radiológico da história do Brasil, o caso do Césio-137 em Goiânia (GO) continua sendo lembrado como um dos mais graves do mundo.
O caso ocorreu em 1987, quando dois catadores encontraram um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada da capital goiana.
Sem saber dos riscos, eles retiraram uma cápsula metálica do equipamento e a levaram para um ferro-velho. No interior do dispositivo estava o Césio-137, material altamente radioativo.
Após ser aberta, a cápsula liberou um pó branco que emitia um brilho azulado no escuro. Encantados pelo fenômeno e sem qualquer conhecimento sobre os perigos da radioatividade, moradores passaram a manusear a substância, compartilhando-a com familiares, amigos e vizinhos.
Alguns chegaram a aplicar o material sobre a própria pele, atraídos pelo aspecto incomum do pó luminoso.
Oficialmente, o acidente resultou em quatro mortes diretamente associadas à contaminação por radiação. No entanto, a Associação das Vítimas do Césio-137 sustenta que os impactos do desastre se estenderam por décadas.
Segundo a entidade, até 2012, 104 pessoas teriam morrido em decorrência de complicações relacionadas à exposição ao material radioativo.






