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Mundo

Brasil pede "diálogo" na OEA para lidar com situação na Nicarágua

Brasil votou contra convocação de reunião de emergência para discutir ameaças do governo Ortega contra eleições em Nicarágua

19/08/2026 16:38
Reprodução/OEA
Imagem colorida mostra embaixador do Brasil na OEA - Metrópoles

O governo brasileiro defende o “diálogo” e “abordagem construtiva baseada em avaliação técnica” para lidar com a atual situação na Nicarágua, onde o atual governo do país ameaça impedir a participação de opositores nas eleições. A manifestação aconteceu nesta terça-feira (19/8) durante reunião do Conselho Permanente da Associação de Estados Americanos (OEA). 

No encontro da organização, o Brasil manifestou preocupação com a “persistente erosão dos princípios democráticos” na Nicarágua. Ainda assim, foi o único país a ser contra uma reunião de emergência de chanceleres dos países membros da OEA. 

Ao anunciar o posicionamento brasileiro, o representante do país na organização, embaixador Benoni Belli, defendeu que este não é o momento “adequado” para a reunião de ministros das Relações Exteriores. 

“Não acreditamos que tenham hajam sido esgotadas as possibilidades de atuação no plano do Conselho Permanente e da Secretaria Geral da OEA. Por esse motivo, não entendemos ser o momento adequado para convocar reunião de ministros das Relações Exteriores. Tal conduta destoa das melhores práticas diplomáticas”, afirmou Belli durante intervenção. “Ao invés de contribuir para uma solução consistente e sustentável, opta-se por precipitar o processo negociar em favor de ganhos de visibilidade, política imediata, em detrimento de medidas efetivas para a garantia dos direitos do povo nicaraguense”.

Mesmo com a oposição do Brasil, a resolução que convocou a reunião de chanceleres foi aprovada por 29 dos 31 países que participaram da sessão. O México se absteve.

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O objetivo do encontro, ainda sem data definida, será discutir a possível mudança na legislação de Nicarágua que pode impedir a participação da oposição em eleições no país.

Na visão do governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo — presidente e copresidente de Nicarágua —, a reforma constitucional é vista como uma forma de proteger as eleições no país. Ao anunciar as discussões sobre a mudança na Assembleia Nacional, o governo sandinista disse que o objetivo é tornar o pleito nicaraguense em “livre, digno e soberano”. 

A previsão é de que a medida, vista por grande parte da comunidade internacional como uma ameaça contra a já frágil democracia em Nicarágua, seja votada pela Assembleia Nacional do país no próximo mês.