Brasil, Espanha e México prometem ampliar ajuda a Cuba em meio a bloqueio dos EUA
Declaração conjunta ocorre em meio ao endurecimento da política de Donald Trump contra Cuba e à piora da crise humanitária na ilha caribenha
atualizado
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Os governos de Brasil, México e Espanha anunciaram neste sábado (18/4) que vão intensificar o envio de ajuda humanitária a Cuba e defenderam o respeito à soberania do país, em comunicado conjunto divulgado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a nota oficial, os países expressaram “profunda preocupação com a grave crise humanitária que afeta o povo cubano” e “reiteram a necessidade de respeitar, em todos os momentos, o direito internacional e os princípios da integridade territorial, da igualdade soberana e da solução pacífica de controvérsias, consagrados na Carta das Nações Unidas”.
Embora não mencione diretamente Donald Trump, o comunicado ocorre em meio ao bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha há mais de um mês, medida que levou o país a uma grave crise energética.
Cuba é um dos principais focos da política externa de Trump desde o o primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Naquele período, ele interrompeu a aproximação promovida por Barack Obama e adotou medidas mais rígidas, ampliando sanções contra o país.
Neste sábado, em Barcelona, o presidente Lula criticou o bloqueio econômico dos EUA e pediu que o presidente norte-americano encerre o embargo ao país caribenho
“Estou preocupado com Cuba, muito preocupado. Cuba tem problema, mas é um problema dos cubanos, não é problema do Lula, da Claudia [Sheinbaum, presidente do México] ou do Trump. É um problema do povo cubano. Pare com esse maldito bloqueio a Cuba e deixe os cubanos viverem a vida deles. Não é possível que nós fiquemos quietos diante disso”, afirmou
Leia o comunicado em sua íntegra:
“À luz da evolução da situação em Cuba e das circunstâncias dramáticas enfrentadas pelo povo cubano, os Governos de Brasil, Espanha e México:
- Expressam sua profunda preocupação com a grave crise humanitária que afeta o povo cubano e instam para que sejam tomadas as medidas necessárias para aliviar essa situação e prevenir ações que agravem as condições de vida da população ou contrárias ao direito internacional. Comprometem-se a intensificar a resposta humanitária coordenada, visando a aliviar o sofrimento do povo cubano.
- Reiteram a necessidade de respeitar, em todos os momentos, o direito internacional e os princípios da integridade territorial, da igualdade soberana e da solução pacífica de controvérsias, consagrados na Carta das Nações Unidas.
- Reafirmam seu compromisso inabalável com os direitos humanos, os valores democráticos e o multilateralismo e, nesse contexto, fazem um chamado a um diálogo sincero, respeitoso e em conformidade com o direito internacional e com os princípios da Carta das Nações Unidas. Seu objetivo deve ser encontrar uma solução duradoura para a situação atual, a fim de criar as condições para que o próprio povo cubano decida seu futuro em total liberdade.”
