Brasil condena ataque de Israel que deixou 254 mortos no Líbano
Chancelaria brasileira cobra fim imediato das ações coordenadas entre EUA e Israel e alerta para risco de nova escalada no Oriente Médio
atualizado
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O governo brasileiro condenou nesta quarta-feira (8/4) os ataques realizados por Israel contra o Líbano, que deixaram ao menos 254 mortos e 1.165 feridos, segundo a Defesa Civil libanesa. Em nota oficial, o Itamaraty classificou a ofensiva como uma escalada preocupante e pediu a suspensão imediata das operações militares.
De acordo com o comunicado, os bombardeios atingiram “extensas áreas” do território libanês e ocorreram logo após o anúncio de um cessar-fogo no conflito no Oriente Médio, o que, na avaliação do Brasil, aumenta o risco de agravamento da instabilidade na região.
Além disso, cobrou que todas as partes envolvidas cumpram integralmente a Resolução 1701, aprovada em 2006 pelo Conselho de Segurança da ONU, que prevê a cessação das hostilidades e a estabilidade na fronteira entre Israel e o território libanês.
O Brasil abriga a comunidade libanesa do mundo, com estimativas entre 7 a 10 milhões de pessoas entre imigrantes e descendentes.
Maior ofensiva desde o início da guerra
Os ataques desta quarta-feira foram descritos por autoridades libanesas como a maior onda de bombardeios desde o início do conflito. A capital, Beirute, foi a área mais atingida, concentrando a maior parte das vítimas.
Segundo dados oficiais, dezenas de mortes também foram registradas em regiões como o sul da capital, Balbeque, Nabatieh e Tiro.
O número total de vítimas elevou ainda mais o saldo do conflito, que já soma mais de 1,7 mil mortos no Líbano desde março.
As Forças de Defesa de Israel informaram ter realizado mais de 100 ataques em poucos minutos, alegando que os alvos eram instalações do Hezbollah. O grupo, apoiado pelo Irã, atua no sul do Líbano e é considerado organização terrorista por Israel.
Cessar-fogo frágil
A ofensiva ocorre um dia após o anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mediado pelo Paquistão. Inicialmente, havia indicação de que o acordo incluiria o Líbano, mas autoridades norte-americanas e israelenses afirmaram posteriormente que o território não faz parte da trégua.
A exclusão do país do acordo tem sido contestada por outras partes envolvidas e ampliou a tensão diplomática, especialmente após novos ataques.
Após os bombardeios, o Irã voltou a ameaçar medidas mais duras, incluindo a possibilidade de fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.








