Bolsonaro sobre eleição de presidente argentino: “Escolheram mal”

Mandatário brasileiro ainda disse que não iria ligar para Alberto Fernández desejando felicitações. "Não vamos nos indispor"

atualizado 28/10/2019 7:43

Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

Enviado especial a Abu Dhabi (Emirados Árabes) — Jair Bolsonano (PSL) lamentou a eleição de Alberto Fernández como presidente da Argentina. Nesse domingo (27/10/2019), o peronista derrotou a chapa do atual mandatário, Mauricio Macri. Com a volta da esquerda ao comando do país vizinho, o chefe do Executivo brasileiro lamentou. “A Argentina escolheu mal. Primeiro, foi o tal do Lula Livre, dizendo que ele [Lula] está preso injustamente. Ou seja, disse a que veio”, comentou.

Bolsonaro refere-se ao gesto de Fernández com os dedos. Após votar, o candidato kirchnerista publicou uma foto no Twitter em que faz a letra L com as mãos, símbolo do movimento Lula Livre, e parabenizou o ex-presidente brasileiro pelo aniversário de 74 anos, completados também nesse domingo.

Questionado se iria ligar para o Fernández a fim de cumprimentá-lo pela vitória, Bolsonaro respondeu: “Não pretendo parabenizá-lo, não vamos nos indispor. Vamos esperar o tempo para ver a posição real dele na política”, ressaltou, para, logo em seguida, colocar em dúvida a capacidade de relacionamento entre os dois países em questões comerciais.

“Por enquanto, continua tudo bem no Mercosul. Ele disse há algum tempo que sairia do Mercosul, ao visitar Lula em Curitiba. Agora, vamos ver o banho de realidade que ele vai ter”, provocou.

“Se interferir [no Mercosul], segundo o Paulo Guedes, nós, não digo que sairemos do Mercosul, mas podemos juntar ali com o Paraguai. Não sei o que vai acontecer na eleição do Uruguai, mas decidimos se a Argentina fere alguma cláusula do acordo ou não. Se ferir, podemos afastar a Argentina. A gente espera que nada disso seja necessário fazer. Espero que Argentina não queira, na questão comercial, mudar seu rumo”, disse em entrevista na saída do hotel em Abu Dhabi.

Esquerda retoma o poder

A vitória do peronista Alberto Fernández é a volta da esquerda na Argentina após quatro anos. Ele tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, mentora da chapa.

Alguns dos planos de Fernández para estancar a crise econômica são o congelamento de preços por 180 dias e a garantia de um aumento salarial de emergência – a inflação acumulada no último ano está perto de 60%.

Imunidade a Kirchner

A eleição garante a Cristina uma cadeira no Senado, o que também assegura a ela imunidade parlamentar. A ex-presidente enfrenta uma série de acusações de corrupção.

O partido de Macri manteve o controle da capital, com a reeleição de Horacio Rodríguez Larreta.

Na Província de Buenos Aires, o ex-ministro da Economia de Cristina, Axel Kicillof, foi eleito com folga, em uma derrota importante para Macri. Os argentinos renovaram ainda 130 dos 257 deputados e 24 dos 72 senadores.

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