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Bolívia prende procurador-geral após acusações de suborno dos EUA

Roger Mariaca é investigado por suspeita de proteger narcotraficantes e facilitar o tráfico de drogas na Bolívia

01/10/2026 17:21
Reprodução/Redes Sociais
Bolívia prende procurador-geral após acusações de suborno dos EUA

O governo da Bolívia prendeu, na noite de quarta-feira (30/9), o procurador-geral Roger Mariaca, após os Estados Unidos acusarem o chefe do Ministério Público de receber subornos para facilitar o narcotráfico e proteger criminosos.

Autoridades bolivianas informaram, nesta quinta-feira (1º/10), que ele é investigado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

A operação policial resultou na prisão de 14 pessoas, entre elas quatro procuradores e seis funcionários do Ministério Público. Também foram apreendidos mais de 3,5 milhões de bolivianos (cerca de R$ 1,5 milhão), além de US$ 10 mil (aproximadamente R$ 52 mil).

Segundo o ministro do Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, as autoridades desmantelaram uma organização criminosa que atuava dentro do sistema de Justiça. De acordo com ele, a Procuradoria-Geral, sob o comando de Mariaca, teria se transformado em uma estrutura destinada a incentivar e proteger o narcotráfico.

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Entre os detidos está Alberto Zeballos, procurador do departamento de Santa Cruz, que também havia sido sancionado por Washington nesta semana.

Dinheiro escondido em ambulância

Um dos episódios que antecederam as prisões ocorreu durante a madrugada, quando quatro pessoas foram flagradas retirando dinheiro em espécie da residência de Mariaca, em Santa Cruz, utilizando uma ambulância.

Segundo Oviedo, policiais encontraram cédulas de moedas boliviana e americana escondidas nos compartimentos do veículo. A ação ocorreu enquanto agentes realizavam buscas em diferentes instalações do Ministério Público.

As operações também alcançaram a sede central da Procuradoria, em Sucre, e escritórios em Santa Cruz e La Paz.

Com a prisão de Mariaca, Luis Montaño Morales, procurador superior com mais tempo de serviço na instituição, assumiu interinamente o comando do órgão. O Congresso boliviano convocou uma sessão extraordinária para esta sexta-feira (2/10) para analisar o caso.

O advogado do procurador-geral, Romel Ipamo, afirmou à imprensa local que a defesa pretende colaborar com as investigações e pediu que o devido processo legal seja respeitado.

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Pressão dos Estados Unidos

A prisão ocorreu dois dias depois de os Estados Unidos revogarem os vistos de Mariaca e de outras autoridades da Bolívia, além de juízes, funcionários e empresários da Colômbia, Equador e Peru.

Washington acusou os atingidos pelas medidas de envolvimento em corrupção, vínculos com o narcotráfico ou conspiração contra seus respectivos governos.

No caso de Mariaca, a administração Trump 2.0 afirmou que ele teria recebido pagamentos ilícitos para facilitar o tráfico de drogas e permitir que criminosos violentos escapassem da Justiça.

O procurador-geral negou as acusações e classificou a revogação de seu visto como um ato de ingerência e pressão política, relacionado a investigações conduzidas durante sua gestão.

Após a prisão, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, elogiou a atuação do governo do presidente boliviano, Rodrigo Paz.

Nas redes sociais, Rubio afirmou que as ações demonstram o tipo de liderança necessário para tornar o continente mais seguro e declarou apoio ao governo boliviano no combate ao narcotráfico, à corrupção e ao crime organizado transnacional.

Oviedo, por sua vez, afirmou que a operação foi conduzida por instituições bolivianas, mas contou com a cooperação de agências americanas. O ministro agradeceu a Washington pela assistência no enfrentamento ao que classificou como narcoterrorismo.