EUA cita combate ao narcoterrorismo após revogar vistos de latinos
Chefe da diplomacia dos EUA para as Américas diz que Washington apoia Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, e citou combate à corrupção

Após os Estados Unidos anunciarem novas restrições de visto contra autoridades e ex-autoridades da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, o secretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Juan Pablo Segura, afirmou, nesta segunda-feira (28/9), que Washington permanece ao lado dos países do chamado Escudo das Américas.
“Os Estados Unidos permanecem ao lado dos parceiros do Escudo — Bolívia, Colômbia, Equador e Peru — enquanto cumprimos nosso compromisso de defender os governos eleitos democraticamente contra a corrupção e as redes narcoterroristas que pretendem miná-los”, declarou Segura.
A fala foi publicada após o governo de Donald Trump anunciar a revogação de vistos de 27 autoridades, ex-autoridades e familiares dos quatro países. Nenhuma autoridade brasileira foi incluída na medida.
Segundo Segura, as novas restrições têm como alvo pessoas que, na avaliação do governo americano, representam uma ameaça aos governos democraticamente eleitos da região.
“Hoje, os Estados Unidos tomam medidas para impor novas restrições de visto a atores corruptos na Bolívia, Colômbia, Equador e Peru que ameaçam os governos eleitos democraticamente em nossa região”, afirmou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO secretário citou especificamente o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, incluído pelos Estados Unidos entre as pessoas atingidas pelas medidas. Segundo a administração Trump, Mariaca teria usado o cargo para solicitar e aceitar propinas em troca de facilitar atividades relacionadas ao narcotráfico e ajudado criminosos violentos a escapar da Justiça.
“É assim que se caracteriza nossa parceria hemisférica”, concluiu Segura.
Restrições atingem quatro países
De acordo com o Departamento de Estado, a nova rodada de restrições envolve autoridades da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Mais de 20 dos atingidos são promotores e juízes bolivianos.
Segundo os documentos divulgados pelo governo dos EUA, 12 deles já possuem vistos norte-americanos, que serão revogados. Outros nove poderão ter eventuais pedidos de visto negados.
O governo Trump afirmou que as medidas fazem parte de uma estratégia para combater corrupção, narcotráfico e ações que, segundo Washington, ameaçam instituições democráticas na América Latina.
“Minar um governo democraticamente eleito é uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas e não será tolerado”, afirmou o Departamento de Estado.
Novo responsável pela América Latina
Segura assumiu em 14 de agosto a Secretaria de Estado adjunta para Assuntos do Hemisfério Ocidental, responsável pela política dos Estados Unidos para o Brasil e os demais países das Américas.
Ele substituiu o embaixador Michael Kozak, que ocupava o posto interinamente. Trump havia indicado Segura para a função em abril, e o Senado americano confirmou a nomeação em agosto.
Desde que assumiu, Segura tem defendido a agenda de Trump para o Hemisfério Ocidental, com foco no combate aos cartéis e às organizações classificadas pelo governo americano como narcoterroristas, além da segurança das fronteiras.









