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Eleições 2026Brasil

Escudo das Américas: o que é a aliança de Trump que Flávio quer aderir

Flávio Bolsonaro (PL) é favorável a aderir à aliança criada por Trump. Governo Lula (PT) vê com ressalvas e teme interferência estrangeira

30/09/2026 04:30
Foto oficial da Casa Branca por Daniel Torok
Reunião entre líderes de países participantes do Escudo das Américas, em julho deste ano

As eleições de 2026 terão um papel fundamental sobre a participação do Brasil no Escudo das Américas, aliança político-militar criada pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos. Os dois candidatos que despontam como favoritos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), têm posições opostas sobre o tema.

Sob o governo Lula o Brasil não foi convidado para aderir ao Escudo das Américas, que conta com países da América do Sul alinhados politicamente com Trump – como Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.

Na avaliação do Planalto, a medida, a longo prazo, tem risco de ser ampliada a outros pontos estratégicos aos EUA, como o controle de minerais críticos e terras raras e a blindagem de investimentos de países como Rússia e China ao território brasileiro.

Já o senador Flávio afirmou que, se eleito, pretende trabalhar para incluir o Brasil na aliança. Segundo Flávio, o Escudo das Américas fortaleceria o combate ao crime organizado no Brasil.

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Uma das medidas já concretizada da aliança foi a classificação da facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A classificação já tinha sido feita pelo governo dos EUA, e agora foi estendida a outros países participantes do Escudo das Américas.

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O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL)
Escudo das Américas foi criado durante o governo atual de Donald Trump, dos EUA
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

KEBEC NOGUEIRA /METRÓPOLES @kebecfotografo
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL)
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O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL)

Samuel Pancher / Metrópoles
Escudo das Américas foi criado durante o governo atual de Donald Trump, dos EUA
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Escudo das Américas foi criado durante o governo atual de Donald Trump, dos EUA

Molly Riley/Casa Branca

Implicações ao Brasil

Ao Metrópoles, o especialista em risco político e professor do Ibmec Brasília, Eduardo Galvão, avaliou que o Escudo das Américas começou como uma articulação em combate ao crime e tráfico transnacional, mas avançou para algo mais amplo que abrange geopolítica.

“Hoje, a iniciativa combina segurança, coordenação diplomática e temas de segurança econômica, como minerais críticos, infraestrutura digital, investimentos e cadeias estratégicas. Por isso, eu evitaria tratá-lo apenas como uma coalizão antidrogas. Ele começa a funcionar como uma plataforma de coordenação hemisférica em torno das prioridades estratégicas de Washington”, avaliou.

“Quando segurança, tecnologia, investimentos e minerais críticos entram no mesmo arranjo, já não estamos falando apenas de combate ao crime. Estamos falando de geopolítica”, complementou Galvão.

O professor destaca que uma entrada do Brasil na aliança poderia gerar ganhos potenciais de cooperação em inteligência, combate à lavagem de dinheiro e rastreamento financeiro. Por outro lado, segundo ele, também teria “um custo político de diplomático”.

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“O Brasil deixaria de ser apenas um parceiro bilateral dos Estados Unidos nessas agendas e passaria a integrar uma arquitetura regional concebida e liderada por Washington. Isso envolve segurança, mas também decisões sobre investimentos, tecnologia e fornecedores estratégicos”, ressaltou.

“O ponto central seria definir quais compromissos o Brasil aceitaria assumir: cooperar com os Estados Unidos é uma coisa. Alinhar-se automaticamente à estratégia americana para o hemisfério é outra”, avalia o professor.

Galvão diz que a entrada do Brasil na aliança não daria aos EUA uma autorização automática para realizar operações militares em território brasileiro, mas que a cautela do Planalto é justificada por ações recentes do governo norte-americano na região

Galvão destacou que uma eventual entrada no Escudo das Américas poderia gerar um eventual desgaste político com o Brics, bloco econômico que o Brasil integra junto com outros países como China e Rússia por tocar diretamente na competição entre esses países e os Estados Unidos.