
Escudo das Américas: o que é a aliança de Trump que Flávio quer aderir
Flávio Bolsonaro (PL) é favorável a aderir à aliança criada por Trump. Governo Lula (PT) vê com ressalvas e teme interferência estrangeira

As eleições de 2026 terão um papel fundamental sobre a participação do Brasil no Escudo das Américas, aliança político-militar criada pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos. Os dois candidatos que despontam como favoritos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), têm posições opostas sobre o tema.
Sob o governo Lula o Brasil não foi convidado para aderir ao Escudo das Américas, que conta com países da América do Sul alinhados politicamente com Trump – como Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.
Na avaliação do Planalto, a medida, a longo prazo, tem risco de ser ampliada a outros pontos estratégicos aos EUA, como o controle de minerais críticos e terras raras e a blindagem de investimentos de países como Rússia e China ao território brasileiro.
Já o senador Flávio afirmou que, se eleito, pretende trabalhar para incluir o Brasil na aliança. Segundo Flávio, o Escudo das Américas fortaleceria o combate ao crime organizado no Brasil.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesUma das medidas já concretizada da aliança foi a classificação da facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A classificação já tinha sido feita pelo governo dos EUA, e agora foi estendida a outros países participantes do Escudo das Américas.
Implicações ao Brasil
Ao Metrópoles, o especialista em risco político e professor do Ibmec Brasília, Eduardo Galvão, avaliou que o Escudo das Américas começou como uma articulação em combate ao crime e tráfico transnacional, mas avançou para algo mais amplo que abrange geopolítica.
“Hoje, a iniciativa combina segurança, coordenação diplomática e temas de segurança econômica, como minerais críticos, infraestrutura digital, investimentos e cadeias estratégicas. Por isso, eu evitaria tratá-lo apenas como uma coalizão antidrogas. Ele começa a funcionar como uma plataforma de coordenação hemisférica em torno das prioridades estratégicas de Washington”, avaliou.
“Quando segurança, tecnologia, investimentos e minerais críticos entram no mesmo arranjo, já não estamos falando apenas de combate ao crime. Estamos falando de geopolítica”, complementou Galvão.
O professor destaca que uma entrada do Brasil na aliança poderia gerar ganhos potenciais de cooperação em inteligência, combate à lavagem de dinheiro e rastreamento financeiro. Por outro lado, segundo ele, também teria “um custo político de diplomático”.

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Frequência de envio: Diário
Ver todas“O Brasil deixaria de ser apenas um parceiro bilateral dos Estados Unidos nessas agendas e passaria a integrar uma arquitetura regional concebida e liderada por Washington. Isso envolve segurança, mas também decisões sobre investimentos, tecnologia e fornecedores estratégicos”, ressaltou.
“O ponto central seria definir quais compromissos o Brasil aceitaria assumir: cooperar com os Estados Unidos é uma coisa. Alinhar-se automaticamente à estratégia americana para o hemisfério é outra”, avalia o professor.
Galvão diz que a entrada do Brasil na aliança não daria aos EUA uma autorização automática para realizar operações militares em território brasileiro, mas que a cautela do Planalto é justificada por ações recentes do governo norte-americano na região
Galvão destacou que uma eventual entrada no Escudo das Américas poderia gerar um eventual desgaste político com o Brics, bloco econômico que o Brasil integra junto com outros países como China e Rússia por tocar diretamente na competição entre esses países e os Estados Unidos.









