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(M)dadosMundo

Biden teve em média 6 pontos a menos do que previam as pesquisas estaduais

Muitos esperavam uma vitória nítida do candidato do partido democrata, Joe Biden, o que não se verificou

05/11/2020 04:37, atualizado 05/11/2020 08:48
Drew Angerer/Getty Images
Joe Biden durante campanha eleitoral nos EUA 2020

Antes das eleições, as pesquisas das intenções de voto indicavam uma vitória nítida do candidato democrata Joe Biden à presidência dos Estados Unidos. Mesmo que o ex vice-presidente dos EUA acabe ganhando, é possível dizer que as pesquisas de intenção de voto erraram suas previsões.

Dois veículos de comunicação tiveram destaque durante a campanha eleitoral por agregar diversas pesquisas e fazer um prognóstico de quem venceria: a revista britânica The Economist e o site americano FiveThirtyEight.  A primeira esperava, em média, 5,5 pontos percentuais a mais para Biden nos estados. Já a segunda calculava 6,5 a mais.

A análise leva em conta os resultados até 14h30 de quarta-feira (4/11), quando as urnas não tinham sido apuradas completamente. Por isso esses números podem variar.

Como a eleição nos EUA leva em conta os votos em cada estado, os dois veículos agregam diversas pesquisas locais, chegando assim a uma estimativa dos números de assentos no colégio eleitoral que cada candidato deve conquistar.

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Em alguns casos, as previsões foram próximas do que aconteceu, como em Massachussets. Lá, o democrata tinha 67% dos votos, enquanto Trump recebeu 31%, uma diferença de 36 pontos percentuais. O total diz respeito a 70% das urnas apuradas. Os dois veículos esperavam exatamente essa diferença.

Esse caso, entretanto, é a exceção. A The Economist teve 16 estados com uma diferença menor entre o previsto e o real. Entretanto, errou em média seis pontos percentuais em 16 estados. Enquanto isso, o FiveThirtyEight cometeu erros semelhantes em 20 estados.

O gráfico a seguir mostra o quanto cada um dos dois veículos falhou ao tentar projetar a diferença em pontos percentuais entre os dois candidatos. Como é possível ver, a maioria das pesquisas subestimou o desempenho do candidato republicano, o atual presidente Donald Trump.

O professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Arnaldo Mauerberg aponta que erros em pesquisas de opinião geralmente dizem respeito a um problema de amostragem. “Isso não é feito de má-fé. É um problema estatístico. A aleatoriedade pode te jogar para uma seleção de pessoas mais propensas a votar no Biden do que no Trump”, explicou.

Outro fator que pode influenciar nas pesquisas é o de eleitores não declarando seu voto real. Esse fator foi levantado pela sócia da GrimpaXD, empresa que realiza pesquisas, Marisa Camargo. “Mais do que um problema de erro de amostra, as pessoas não estão assumindo o seu candidato como aconteceu em 2016. Elas fazem uma declaração mentirosa ao entrevistador e, na hora, optam por outro postulante”, apontou.

Esse ponto é bem explicado pelo doutorando em Ciência Política na Universidade da Califórnia Lucas Maia, durante um fio no seu perfil da rede social Twitter. De acordo com ele, a dificuldade para se fazer pesquisas tem sido cada vez maior.

“Vamos supor que na década de 60 você precisasse falar com 5 mil pessoas pra conseguir mil entrevistas. Hoje, você tem de falar com 15 mil pra conseguir as mesmas mil entrevistas”, diz Maia no texto. Ele também chama atenção para três fatos.

O primeiro diz respeito a aqueles que aceitam responder as perguntas: em geral, brancos e mais ricos. Ou seja, o pesquisador não vai ter uma amostra de todos os perfis da população tão próxima da realidade. O segundo fala da forma como o levantamento ocorreu por causa da pandemia: por telefone e não presencialmente. Por fim, a amostragem das pesquisas norte-americanas são menores do que as brasileiras, por exemplo.

Veja: