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Austrália: Justiça mantém prisão perpétua para "assassina dos cogumelos"

Condenada por envenenar familiar com cogumelos, mulher teve recursos rejeitados pela Justiça da Austráia, que manteve prisão perpétua

30/10/2026 08:11
Reprodução
imagem colorida assassina dos cogumelos australia

A Justiça da Austrália rejeitou, nesta sexta-feira (30/10), o recurso apresentado por Erin Patterson, condenada pelo assassinato de três familiares do ex-marido em um caso que ficou conhecido internacionalmente como “assassinato dos cogumelos”.

Além de manter as condenações, o Tribunal de Apelação do estado de Victoria acolheu o recurso da acusação e determinou que ela cumpra prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Erin foi condenada em 2025 por matar os ex-sogros Don e Gail Patterson e a tia do ex-marido, Heather Wilkinson. Ela também foi considerada culpada pela tentativa de assassinato de Ian Wilkinson, marido de Heather, que sobreviveu ao envenenamento.

O crime aconteceu em julho de 2023, quando a australiana ofereceu um almoço em sua casa, na cidade de Leongatha, no estado de Victoria. O prato principal era um beef Wellington, preparação de carne envolvida em massa folhada, que continha cogumelos venenosos da espécie Amanita phalloides, conhecida como cicuta-verde ou chapéu-da-morte.

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Após a refeição, os convidados passaram mal. Don, Gail e Heather morreram em decorrência de falência de órgãos, enquanto Ian precisou de internação hospitalar e sobreviveu.

Crimes frios e planejados

Na decisão desta sexta-feira, um colegiado de três juízes da Corte de Apelação de Victoria rejeitou os argumentos apresentados pela defesa e considerou que as circunstâncias do crime eram graves demais para permitir qualquer possibilidade de liberdade condicional.

O juiz Stephen McLeish afirmou que os assassinatos foram cuidadosamente planejados e executados de maneira deliberada. Segundo ele, a conduta de Erin envolveu uma sequência elaborada de mentiras e enganos.

A decisão também destacou que a intenção criminosa teria persistido por semanas, desde o convite para o almoço até a preparação e o oferecimento da refeição contaminada.

Inicialmente, Erin havia recebido três penas de prisão perpétua, com possibilidade de solicitar liberdade condicional após cumprir 33 anos de prisão. Com a nova decisão, essa possibilidade foi retirada.

Defesa alegou irregularidades

A defesa de Erin apresentou sete argumentos para tentar anular as condenações. Entre as alegações estavam supostas falhas na condução do julgamento, questionamentos sobre provas aceitas pelo tribunal e problemas relacionados à hospedagem dos jurados, que teriam ficado no mesmo hotel que integrantes da acusação, testemunhas policiais e jornalistas.

Os juízes rejeitaram todos os fundamentos apresentados pela defesa e mantiveram as condenações.

A acusação, por sua vez, também havia recorrido da sentença original, argumentando que o período de 33 anos antes da possibilidade de liberdade condicional era insuficiente diante da gravidade dos crimes. Esse pedido foi acolhido pelo tribunal.

Repercussão internacional

Erin Patterson sempre negou ter cometido os assassinatos de forma intencional. Durante o processo, sustentou que os cogumelos venenosos teriam sido colocados na comida acidentalmente e que ela própria também teria passado mal após consumir a refeição.

A investigação apontou, entretanto, uma série de comportamentos considerados suspeitos, incluindo tentativas de explicar a origem dos cogumelos e a destruição de evidências.

O caso atraiu atenção internacional pela brutalidade dos crimes e pelas circunstâncias em que ocorreram: uma refeição familiar que terminou com três mortes e uma tentativa de assassinato.

Com a decisão desta sexta-feira, Erin deverá permanecer presa pelo restante da vida. A defesa ainda pode tentar levar o caso à Alta Corte da Austrália, por meio de um pedido de autorização para novo recurso.