Argentina: mais de 90% dos sindicatos aderiram à greve geral
A Argentina enfrenta uma greve nacional em protesto ao projeto de reforma trabalhista do governo do presidente Javier Milei
atualizado
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A greve que paralisou a Argentina na quinta-feira (19/2), em protesto ao projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei, teve grande adesão do setor sindical. A Confederação Geral do Trabalho da Argentina (CGT) afirmou, por meio do secretário-geral Jorge Sola, que mais de 90% dos sindicatos argentinos aderiram ao movimento, que durou 24 horas.
“Demonstramos, mais uma vez, nossa reivindicação diante da perda de empregos, da queda do poder de compra das famílias argentinas, dos cortes nos serviços de saúde e da desestruturação do tecido social e produtivo do nosso país”, afirmou o secretário.
💪🏽 PARO NACIONAL 19/2
Con un alto acatamiento en todo el país, las y los trabajadores paramos en defensa de nuestros derechos.
Calles, fábricas, oficinas, estaciones y centros de producción reflejan una decisión colectiva:
📢 No a la reforma laboral.No es modernización.
Es… pic.twitter.com/2nEAHB6UF9— CGT (@cgtoficialok) February 19, 2026
A forte adesão do setor de transportes paralisou trens, metrôs e aviões, impactando inclusive diversos voos entre Brasil e Argentina. Apenas algumas linhas de ônibus, que não aderiram à greve, continuaram funcionando.
A Aerolíneas Argentina, estatal que é a maior companhia aérea do país, informou que cancelou 255 voos, afetando 31 mil passageiros devido ao movimento.
Cristian Jeronimo, outro secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho da Argentina, afirmou que “a CGT demonstrou que esteve à altura dos interesses que representa, contundência e uma prova de força de todo o território argentino”.
Principais pontos da reforma
- Indenizações reduzidas: exclui 13º, férias e bônus da base de cálculo em demissões sem justa causa;
- Jornada de trabalho: aumenta a carga horária permitida de oito para 12 horas diárias, desde que seja respeitado o período de descanso de 12 horas entre os dias de trabalho;
- Horas extras: propõe um banco de horas como alternativa ao pagamento de horas extras;
- Salários flexíveis: permite o pagamento em pesos ou moeda estrangeira e introduz salários “dinâmicos”, baseados em produtividade ou mérito individual; e
- Licenças e férias: reduz pagamentos em casos de doença voluntária ou de risco, e estabelece que férias podem ser divididas em períodos mínimos de sete dias.












