Argentina e Estados Unidos firmam acordo sobre minerais críticos

Acordo busca transparência no mercado, atrair investimentos e reduzir dependência da China em insumos estratégicos

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1 de 1 Imagem colorida de Donald Trump e Javier Milei - Metrópoles - Foto: Kevin Dietsch/Getty Images

A Argentina e os Estados Unidos assinaram, nesta quarta-feira (4/2), em Washington, um acordo sobre minerais críticos. O objetivo é ampliar a transparência do mercado e do fornecimento desses insumos, considerados estratégicos para áreas como tecnologia, segurança e defesa.

A assinatura ocorreu durante uma cúpula ministerial sobre minerais críticos convocada pelo governo do presidente Donald Trump, no Departamento de Estado norte-americano. O encontro reuniu representantes de mais de 50 países em meio à tentativa dos Estados Unidos de conter o avanço da China no mercado global desses minerais.

A Argentina foi representada pelo ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno. O encontro se estendeu ao longo de todo o dia e reuniu autoridades de alto escalão dos EUA, como o secretário de Estado Marco Rubio, o vice-presidente JD Vance, o diretor sênior de gestão da cadeia de suprimentos David Coplay e o secretário adjunto de Estado para Assuntos Econômicos, Jacob Helberg. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, encerrou a reunião, seguida da assinatura do acordo. O governo dos EUA classificou a reunião como “histórica”, mas não informou quantos países, ao todo, aderiram formalmente ao acordo.

Durante o evento, Vance afirmou que os Estados Unidos estão convidando aliados a formar um bloco comercial de minerais críticos. Segundo ele, os países participantes terão acesso a financiamento privado e a fornecimento seguro desses insumos em situações de emergência ou contingência. Antes da assinatura, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a Argentina terá papel relevante no setor. Segundo ele, os recursos naturais do país sul-americano beneficiam não apenas os Estados Unidos, mas diversos mercados globais, de forma positiva também para a economia argentina.

“A Argentina não é conhecida apenas por seus recursos naturais. Grande parte do mundo, não apenas os Estados Unidos, se beneficia deles, de uma forma que é boa para a Argentina”, disse Rubio.

Objetivos do acordo

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina informou que o acordo busca fortalecer e diversificar as cadeias de valor, criar um ambiente favorável à entrada de investimentos produtivos de longo prazo e responder ao aumento da demanda global por minerais utilizados em tecnologias avançadas. A pasta avaliou que a iniciativa representa uma oportunidade para o crescimento econômico e produtivo do país, embora não tenha detalhado como o acordo será implementado.

O governo argentino também destacou o desempenho recente do setor. Em 2025, as exportações da mineração atingiram o recorde de US$ 6,037 bilhões, alta anual próxima de 30%, impulsionadas pelo Regime Integrado de Mineração (RIGI). Segundo o ministério, a mineração, em especial de minerais críticos como lítio e cobre, se tornou setor central para a ampliação das exportações, a geração de divisas e a criação de empregos qualificados.

O acordo tem como meta estabelecer maior transparência no mercado, diversificar a cadeia global de suprimentos e garantir preços de referência, evitando que agentes externos tentem influenciar valores, como ocorre, na avaliação dos EUA, com a atuação da China.

Em discurso durante a cúpula, Quirno afirmou que os minerais críticos passaram a ocupar posição central na segurança nacional, na competitividade industrial e no cenário geopolítico. Para ele, o foco da iniciativa está na construção de mercados justos e transparentes.

O acesso a minerais críticos – que inclui terras raras e metais estratégicos – é considerado prioritário pelo governo Trump. A reunião contou com a presença de países classificados como “parceiros”, entre eles membros do G7, além de Índia, Coreia do Sul, Austrália, México, Nova Zelândia, Bolívia, Paraguai e Argentina.

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