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Mundo

Após ataques de Milei, chanceler descarta romper relações com Brasil

Chanceler argentino reafirmou apoio de Milei aos Bolsonaros, mas disse que divergências políticas não serão levadas ao plano institucional

29/07/2026 14:04, atualizado 29/07/2026 14:38
Fernando Sanchez/Getty Images
Imagem colorido de novo chanceler argentino Pablo Quirno - Metrópoles

O governo da Argentina descartou, nesta quarta-feira (28/7), a possibilidade de romper relações diplomáticas com o Brasil em meio à crise provocada por declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A posição foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, em entrevista à rádio argentina Mitre. Segundo o chanceler, apesar das diferenças políticas entre Milei e Lula, o episódio não deve comprometer a relação institucional entre os dois países.

Questionado sobre a possibilidade de um rompimento diplomático, Quirno foi direto: “De forma alguma”.

“Não há nenhuma chance de que, do nosso lado, as relações se rompam (…). Nós não levamos isso para o plano institucional”, afirmou.

Durante a entrevista, Quirno reconheceu que Milei e Lula possuem posições políticas e ideológicas distintas. Para o ministro, essas diferenças ajudam a explicar os episódios recentes de atrito entre os governos.

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“Decorrentes das diferenças políticas e ideológicas existentes, especificamente entre o presidente Milei e o presidente Lula. Enxergamos o mundo de maneiras completamente diferente”, afirmou.

O chanceler também defendeu a participação de Milei no evento do PL e deixou claro que o presidente argentino mantém apoio à família Bolsonaro.

“O presidente participou de um ato partidário, evidentemente apoia a família Bolsonaro no Brasil”, afirmou.

As movimentações do presidente argentino nas redes sociais também entraram no radar do governo brasileiro. Milei voltou a compartilhar publicações com críticas a Lula, atitude que, na avaliação de diplomatas, contribui para manter o ambiente de tensão entre os dois países.


Entenda a crise

  • A declaração ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática entre os dois países após a visita de Milei a São Paulo, no último fim de semana, para participar da convenção nacional do
  • PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
  • Durante o evento, o presidente argentino chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”, afirmou que o Brasil vive um processo de “perseguição política”, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e declarou que apenas Flávio Bolsonaro “pode parar Lula e trazer uma verdadeira mudança para todos os brasileiros”.
  • Milei também incentivou apoiadores a entoarem o coro de “Lula ladrão” e voltou a atacar Moraes por impedir uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
  • Ao se referir ao ministro do STF, chamou-o de “lixo careca”.
  • Na segunda-feira (27/7), Lula reagiu às declarações com ironia.
  • Ao ser questionado sobre os ataques do presidente argentino, respondeu: “Eu? Quem é esse cara?”.
  • O Itamaraty convocou o embaixador argentino, Julio Bitelli, em Brasília para prestar esclarecimentos e determinou o retorno temporário do representante brasileiro ao país.
  • O Brasil espera, até o momento,  uma sinalização argentina sobre um eventual pedido formal de desculpas pelas declarações de Milei.

Alckmin critica Milei

O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como “lamentáveis” as declarações de Milei contra Lula. Para ele, o episódio não deve impedir o avanço das relações comerciais entre Brasil e Argentina no Mercosul.

“É lamentável. Um presidente de um país vizinho e amigo presta um desserviço ao seu próprio país ao se envolver de maneira absolutamente grosseira nos assuntos internos do Brasil”, afirmou.

Alckmin destacou ainda os avanços recentes nas negociações comerciais do bloco. Ele citou acordos com Singapura, os países da EFTA e a União Europeia, além do interesse da Coreia do Sul em avançar nas tratativas.

Apesar do confronto político entre os presidentes, os governos brasileiro e argentino mantêm os canais diplomáticos e comerciais abertos. A sinalização de Buenos Aires é de que a crise não deve evoluir para um rompimento das relações entre os países.