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Mundo

Acusação de crime de guerra complica ofensiva de Trump no Caribe

Bombardeio contra náufragos no Caribe coloca em xeque a mobilização dos Estados Unidos na região

05/12/2025 02:00
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Justin Lane - Pool/Getty Images
Imagem colorida mostra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Metrópoles

Um suposto crime de guerra cometido pelos Estados Unidos no Caribe, no início de setembro, tem colocado em xeque a atuação militar norte-americana na região — cujo objetivo declarado de Donald Trump é atingir cartéis que traficam drogas para o país que comanda.


Campanha militar dos EUA

  • Os EUA iniciaram uma mobilização militar na América Latina e Caribe em agosto deste ano, sob a justificativa de combater o tráfico internacional de drogas que passa por águas locais rumo ao país.
  • Desde então, uma frota de navios de guerra transportando militares, um submarino nuclear, caças F-35 e até mesmo o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, foram destacados para a região.
  • A movimentação coincide que mudanças na política externa norte-americana, que passou a classificar alguns cartéis de drogas como organizações terroristas internacionais. A medida dá, em teoria, o aval para operações dos EUA em outros países mirando tais grupos, com a bandeira do combate ao terrorismo.
  • Até o momento, o governo dos EUA confirmou que 23 barcos, supostamente ligados ao tráfico de entorpecentes, foram bombardeados em águas caribenhas e do Oceano Pacífico, matando mais de 80 pessoas. Provas concretas das acusações, porém, nunca foram divulgadas por Washington.
  • A Organização das Nações Unidas (ONU) critica as operações, classificando-as como “execuções extrajudiciais”.
  • Um dos principais alvos da ofensiva norte-americana na região é o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O líder chavista é apontado pela administração Trump como o chefe do cartel de Los Soles — grupo que também entrou na lista de organizações terroristas internacionais.
  • Nos últimos dias, Trump sinalizou os ataques por água podem evoluir, e se tornar operações por terra não só contra a Venezuela, como também contra qualquer país que “produza e venda” drogas para os EUA.

O caso foi revelado em uma reportagem do jornal norte-americano Washington Post, publicada no último dia 28 de novembro. De acordo com a publicação, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, teria ordenado um segundo ataque contra o primeiro barco alvo EUA no Caribe, com a finalidade de que os todos os náufragos morressem. A embarcação transportava 11 pessoas.

Veja o primeiro ataque:

Inicialmente, o secretário de Guerra dos EUA negou as acusações e classificou a notícia como falsa. Dias depois, porém, a própria Casa Branca confirmou que um segundo bombardeio na mesma ocasião foi ordenado, mas tentou desvinculá-lo de Hegseth.

Durante coletiva de imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o ataque foi uma ordem direta do almirante Frank Bradley, com a autorização do chefe do Pentágono. Ela, contudo, não deixou claro se havia sobreviventes no barco antes que o mesmo fosse alvo do segundo bombardeio.

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Crime de guerra

A revelação do caso levantou um debate não só na comunidade internacional, mas também dentro dos Estados Unidos. Isso porque a lei internacional proíbe ataques contra feridos em contextos de conflitos.

Tais ações são proibidas, inclusive, pelo próprio governo norte-americano. Segundo o Manual de Direito da Guerra do Pentágono, ordens para ataques contra combatentes feridos, inconscientes ou náufragos devem ser recusadas, ainda que venham de instâncias superiores.

Logo após a repercussão da reportagem, o Congresso dos EUA abriu uma investigação sobre a operação contra a embarcação no Caribe e do suposto crime de guerra cometido por forças norte-americanas. A medida foi apoiada não só por parlamentares do Partido Democrata, como também por congressistas republicanos ligados a Trump.

Como parte das investigações, o almirante Frank Bradley foi ouvido com legisladores da Câmara e do Senado na quinta-feira (4/12). Segundo a mídia norte-americana, deputados e senadores se dividiram após assistirem a um vídeo do segundo ataque ao barco.

Alas democratas criticaram a ação, e classificaram as imagens como “uma das coisas mais preocupantes” que já viram. Enquanto isso, políticos ligados ao Partido Republicano adotaram a retórica da administração Trump, e chamaram a ação de “totalmente legal e necessária”.