Sargento é denunciado por feminicídio de capitã da PM em BH
Segundo o MPMG, Michele Leão Azevedo foi agredida com um bastão de madeira e sofreu asfixia; militar também responde por outros crimes

Belo Horizonte – O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou, no último sábado (29/8), o sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, pelo feminicídio da capitã Michele Leão Azevedo, ocorrido em julho deste ano.
O militar também foi denunciado por fraude processual, três crimes de lesão corporal e tráfico de drogas. A denúncia foi assinada pelo promotor Igor Bandeira e Silva.
Segundo o MPMG, Michele foi morta em um contexto de violência doméstica. A acusação aponta ainda uma série de circunstâncias que podem aumentar a pena em caso de condenação. Entre elas estão o fato de a vítima ser mãe, o uso de meio cruel e de asfixia, além de motivo considerado fútil e de uma forma de ataque que teria dificultado a defesa da capitã.
De acordo com a denúncia, Michele já havia sido agredida pelo sargento em pelo menos três ocasiões anteriores, todas no mesmo mês em que foi morta. O MPMG afirma que ele usou objetos para agredi-la. As lesões foram identificadas pela perícia, e a capitã chegou a procurar atendimento médico após as agressões.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesRelembre o caso
No dia 19 de julho, o casal estava no apartamento onde morava durante uma confraternização organizada pelo sargento. Segundo a denúncia, enquanto Michele conversava com outras pessoas, Eduardo passou a questioná-la de forma agressiva e intimidadora sobre mensagens e conversas. Os convidados precisaram intervir para acalmar a situação.
Após o fim da confraternização, já no dia seguinte, o sargento teria agredido Michele no quarto do casal com vários golpes de um bastão de madeira. O MPMG afirma que ele também usou asfixia contra a vítima. O exame feito após a morte identificou diversas lesões e fraturas pelo corpo.
Ainda segundo a denúncia, depois das agressões, o militar teria tentado alterar o local do crime. Ele teria retirado os lençóis da cama e colocado para lavar, removido pedaços de madeira usados nas agressões e apagado mensagens do celular de Michele.
Em seguida, Eduardo teria saído do apartamento carregando a capitã nos ombros, colocado a vítima no carro e seguido para o Hospital Metropolitano Odilon Behrens, em Belo Horizonte.
Michele chegou à unidade com diversas lesões pelo corpo, incluindo um grave traumatismo na cabeça. Após a avaliação, a equipe médica constatou que ela já estava morta e que a morte havia ocorrido horas antes da chegada ao hospital. Uma médica plantonista acionou a Polícia Militar.
Eduardo foi preso em flagrante ainda no hospital. De acordo com o MPMG, enquanto era acompanhado por policiais, ele pediu para usar o banheiro. No local, teria jogado em uma lixeira uma caixa metálica com 18 comprimidos de ecstasy, posteriormente apreendidos pelos militares.
O Ministério Público pediu que o sargento seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. O órgão também pediu que, em caso de condenação, seja fixado o pagamento de pelo menos R$ 50 mil como reparação pelos danos causados pelo crime.
A Promotoria de Justiça também defendeu a manutenção do sigilo sobre partes consideradas sensíveis do processo, para evitar a exposição indevida da vítima.



