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Minas Gerais

Refugiado que vive em BH é chamado para simulação inspirada na Nasa

Aos 13 anos, Horácio Rojas se tornou o primeiro venezuelano selecionado para a Missão Moon2, simulação espacial inspirada na NASA

19/06/2026 04:00
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Arquivo pessoal
Horácio no projeto Missão Moon2

Belo Horizonte – Horácio Neptaly Rojas Conde, hoje com 13 anos, chegou ao Brasil ainda criança, depois que a mãe deixou a Venezuela como refugiada. Hoje, o adolescente que vive em Belo Horizonte acaba de se tornar o primeiro venezuelano selecionado para a Missão Moon2, uma simulação espacial inspirada na Nasa.

A história de Horácio, mistura desafios, recomeços e sonhos que ultrapassam fronteiras. Refugiado morador de Belo Horizonte desde 2019, o jovem se tornou o primeiro venezuelano em uma das principais simulações espaciais educacionais do Brasil.

A conquista ganha ainda mais significado quando observada a trajetória percorrida por sua família até chegar à capital mineira. Ao lado da mãe, do irmão mais novo e da avó, Horácio deixou a Venezuela em busca de oportunidades e segurança, enfrentando dificuldades financeiras, mudanças e perdas familiares até encontrar em Minas Gerais um novo lar.

Da Venezuela para o Brasil em busca de um futuro melhor

Natural de Valencia, no estado de Carabobo, na região Centro-norte da Venezuela, Horácio chegou ao Brasil ainda criança, com 7 anos. A mãe dele, Yaksibith Yohana Conde Artigas, que criou os filhos sozinha, decidiu deixar o país em meio à crise econômica e social que afetava milhares de famílias venezuelanas.

A primeira parada foi em Boa Vista, em Roraima. Lá, a família enfrentou meses de incertezas.

“Não tinha trabalho. Eu vendia geladinho na rua e recolhia latinhas para conseguir sobreviver. Tentava economizar o pouco dinheiro que tinha trazido da Venezuela”, relembra a mãe.

Quatro meses depois, com apoio de organismos humanitários, da Polícia Federal, da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, a família foi transferida para Belo Horizonte.

Ela veio primeiro e deixou para trás os filhos – Horácio e o irmão Otoniel Josue Rojas Conde de 4 anos – aos cuidados da mãe, que na época tinha 63 anos.

Recomeço marcado por perdas e superação

Ao chegar à capital mineira, Yaksibith Yohana, recebeu acolhimento na Casa do Migrante, ligada à Igreja da Boa Viagem. Pouco tempo depois, ela conseguiu o primeiro emprego formal e após 4 meses, conseguiu trazer a família.

A viagem de avião de Boa Vista a Brasília e depois de ônibus até Belo Horizonte, atravessou o país levando os dois filhos e a avó rumo a uma nova oportunidade.

Mas uma notícia inesperada mudaria a rotina da família: logo que chegaram na capital mineira, a avó de Horácio foi diagnosticada com câncer de estômago. Ela permaneceu internada por cerca de um mês e acabou falecendo. “Nós não sabíamos da doença”, disse Yaksibith.

Mesmo diante do luto e das dificuldades, a família decidiu seguir em frente.

Horácio, o irmão Otoniel Conde e a mãe Yaksibith Yohana
Natural de Valencia, no estado de Carabobo, na Venezuela, Horácio chegou ao Brasil ainda criança.

Durante a pandemia, a mãe perdeu o emprego em uma operadora de telefonia celular, mas voltou ao mercado de trabalho pouco tempo depois. Atualmente, trabalha há seis anos na área de segurança privada e comemora a estabilidade conquistada em Minas Gerais.

“Gostamos muito de Belo Horizonte. Aqui encontramos oportunidades que não tivemos em outros lugares”, afirma.

Um talento que encontrou espaço para crescer

Foi em BH que Horácio começou a transformar sua paixão pela ciência em conquistas concretas.

Desde pequeno, ele demonstra interesse por astronomia, foguetes e exploração espacial. O estudante acumula mais de 30 premiações em olimpíadas científicas nacionais e internacionais.

Medalhas conquistadas em olimpíadas de conhecimento
Medalhas conquistadas em olimpíadas de conhecimento

Entre as conquistas estão medalhas em astronomia, matemática e ciência, além de uma distinção por participação em projetos de caça a asteroides.

Hoje, Horácio é cientista cidadão credenciado pela Nasa em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), integra a Liga Latino-Americana de Astronomia (LIAStra), participa do Clube de Astronomia Atenas e atua como embaixador de plataformas educacionais voltadas para jovens talentos.

O desempenho acadêmico também garantiu ao estudante uma bolsa de estudos no Colégio Loyola, por meio do Instituto Ponte, organização que apoia jovens de alto rendimento acadêmico em situação de vulnerabilidade social.

O sonho de chegar ainda mais longe

A mais recente conquista foi a seleção para a Missão Moon2, promovida pelo Wogel Space Lab, em Brasília. O projeto reproduz desafios semelhantes aos enfrentados por astronautas em missões espaciais e reúne estudantes de destaque de todo o país.

Durante a experiência, que aconteceu entre os dia 12 ao 14 de junho, no Centro de Treinamento Espacial, ParkWay, em Brasília; Horácio participou de treinamentos técnicos, simulações de exploração lunar, lançamentos de foguetes, operações com drones e missões de resgate.

“Eu gosto muito de foguetes, de participar de olimpíadas científicas e aprender sobre o espaço. Acredito que isso contribuiu para minha seleção”, conta.

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O projeto reproduz desafios semelhantes aos enfrentados por astronautas em missões espaciais e reúne estudantes de destaque de todo o país.
Criada pelo Wogel Space Lab, a Missão Moon2 é uma simulação espacial educacional inspirada na Artemis II, missão da NASA que prevê uma viagem tripulada ao redor da Lua
Ao chegar à capital mineira, a família recebeu acolhimento na Casa do Migrante, ligada à Igreja da Boa Viagem
Horácio participou de treinamentos técnicos, simulações de exploração lunar, lançamentos de foguetes, operações com drones e missões de resgate.
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Horácio participou de treinamentos técnicos, simulações de exploração lunar, lançamentos de foguetes, operações com drones e missões de resgate.

arquivo pessoal
O projeto reproduz desafios semelhantes aos enfrentados por astronautas em missões espaciais e reúne estudantes de destaque de todo o país.
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O projeto reproduz desafios semelhantes aos enfrentados por astronautas em missões espaciais e reúne estudantes de destaque de todo o país.

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Criada pelo Wogel Space Lab, a Missão Moon2 é uma simulação espacial educacional inspirada na Artemis II, missão da NASA que prevê uma viagem tripulada ao redor da Lua
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Criada pelo Wogel Space Lab, a Missão Moon2 é uma simulação espacial educacional inspirada na Artemis II, missão da NASA que prevê uma viagem tripulada ao redor da Lua

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Ao chegar à capital mineira, a família recebeu acolhimento na Casa do Migrante, ligada à Igreja da Boa Viagem
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Ao chegar à capital mineira, a família recebeu acolhimento na Casa do Migrante, ligada à Igreja da Boa Viagem

arquivo pessoal

Para o jovem, a participação no programa tem um significado que vai além da realização pessoal.

“Quero que outras crianças migrantes entendam que podem sonhar alto. O Brasil oferece oportunidades e a educação pode transformar vidas”, destaca.

Apesar dos resultados expressivos, a família ainda enfrenta dificuldades para custear algumas competições internacionais, que exigem pagamento de taxas e deslocamentos.

“Ele conquista as vagas, mas muitas vezes não temos condições financeiras de participar de todas as etapas internacionais”, relata a mãe.

O que é a Missão Moon2

Criada pelo Wogel Space Lab, a Missão Moon2 é uma simulação espacial educacional inspirada na Artemis II, missão da Nasa que fez uma viagem tripulada ao redor da Lua.

O programa seleciona jovens com histórico de destaque acadêmico e envolvimento com divulgação científica para vivenciar experiências semelhantes às enfrentadas por astronautas, incluindo treinamentos técnicos, tomada de decisões em equipe, operações científicas, exploração simulada do ambiente lunar e desafios ligados à tecnologia espacial.