Racha na direita? Avanço de Cleitinho expõe impasse do PL em Minas
Favorito nas pesquisas, Cleitinho não tem apoio explícito de Nikolas Ferreira (PL), que se aproxima de Mateus Simões (PSD)
atualizado
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Belo Horizonte – A força do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) nas pesquisas para o governo de Minas Gerais tem exposto fissuras no campo da direita mineira, especialmente dentro do PL, que precisa montar palanque para o presidenciável Flávio Bolsonaro no estado. Apesar de despontar como o nome mais competitivo entre os conservadores até agora, Cleitinho ainda não conseguiu unificar apoios estratégicos no estado.
Nos bastidores, o principal sinal de divisão passa pela postura do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes da direita em Minas. Nikolas ainda não fez qualquer gesto público de apoio à candidatura do senador, movimento que tem sido interpretado como resistência.
A ausência de alinhamento explícito ganha ainda mais peso diante do papel central que Nikolas ocupa dentro do PL. Em conversa recente com o Metrópoles, o presidente da sigla em MG, Domingos Sávio, indicou que qualquer definição sobre candidatura própria ou eventual aliança dependerá diretamente do aval do deputado e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que, na prática, coloca nas mãos de ambos a decisão final sobre o rumo do partido no estado.
Ao mesmo tempo, Nikolas tem dado sinais de aproximação com o vice-governador Mateus Simões (PSD), que é pré-candidato ao Executivo mineiro. A movimentação chama atenção porque, embora Simões também dialogue com o eleitorado de direita, seu nome ainda não apresenta desempenho expressivo nas pesquisas — o que contrasta com a força eleitoral já demonstrada por Cleitinho.
Racha no PL
Em manifestações públicas de políticos ligados ao PL é possível identificar a rachadura dentro do partido. Enquanto alguns indicam apoio a Cleitinho, que tem capitalizado um perfil mais independente e uma comunicação direta com o eleitorado, setores mais estruturados da direita desconfiam da postura autônoma do senador, e preferem se manter alinhados a Nikolas no apoio a Simões. Ou buscam uma outra alternativa.
Apesar da indefinição, o presidente da sigla em Minas, Domingo Sávio, fala em “prudência” e nega que haja uma quebra dentro do partido. “Como temos mais de uma boa opção, temos que aguardar a decisão nacional para termos segurança de que nossa escolha seja boa para Minas e para o Brasil”, disse ele ao Metrópoles nessa terça-feira (24/3).
De acordo com Sávio, o PL estará “100% unido” na futura decisão. “Existem opiniões diferentes, o que é natural nesta etapa em que temos mais de uma opção, mas, uma vez decidido o candidato do PL, estaremos todos unidos”, reforçou.
Na contramão de Nikolas, o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) afirmou que “o candidato perfeito não existe”, mas teceu elogios a Cleitinho, a quem deu a entender que irá apoiar como nome da direita para o governo de Minas por causa da “viabilidade política” e da “viabilidade de valores”.
“Cleitinho não zombou da segurança pública, não defendeu aumento de impostos e é 100% cristalino ao denunciar a injustiça absurda enfrentada pelo presidente [Jair] Bolsonaro e sua família. Quando retiramos oportunismos do xadrez, sobra convicção”, escreveu Caporezzo nas redes.
Seguindo a mesma linha, o deputado federal Samuel Viana afirmou que Cleitinho é “um cara de coragem” por ter dito em entrevistas que não colocará ideologia política acima do estado e do povo e que conversaria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caso ele ganhasse as eleições presidenciais. “Conte comigo”, escreveu Viana no Instagram.
Já o deputado federal Lincoln Portela, presidente nacional do PL 60+, usou as redes sociais para postar uma foto ao lado de Simões. Ele parabenizou o agora governador de Minas Gerais, que assumiu o estado após Romeu Zema (Novo) renunciar para concorrer à Presidência da República, e desejou que ele tenha “sabedoria para conduzir Minas”.
“Minas é terra de gente trabalhadora, de valores sólidos e de grande importância para o nosso país. Que esta nova caminhada seja de conquistas, avanços e prosperidade para todos! Conte com o meu trabalho na Câmara dos Deputados, respeito e votos de muito sucesso nesta missão”, escreveu Portela.
Indefinição atinge campo nacional
O impasse revela um cenário ainda em aberto para 2026, no qual a direita mineira enfrenta dificuldades para se organizar em torno de um único nome. A fragmentação, nesse contexto, pode enfraquecer o grupo diante de adversários.
Além disso, a indefinição dentro do PL também impacta outras peças do jogo político, já que a decisão sobre quem será apoiado pelo partido tende a influenciar alianças, palanques e estratégias em nível nacional – incluindo a corrida pelo Palácio do Planalto. Minas, segundo maior colégio eleitoral e historicamente decisiva em eleições presidenciais, volta a se tornar um campo sensível de disputa.

