Colados nas pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro intensificam ofensiva por palanque em MG
A oito meses das eleições, Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam entraves para definir palanque em Minas, estado-chave na eleição presidencial
atualizado
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Belo Horizonte – Com seus mais de 16 milhões de eleitores, Minas Gerais costuma ser um estado-chave na disputa pela presidência do Brasil. Em uma corrida apertada como a que as pesquisas indicam que será o embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), os favoritos até agora, um palanque forte em Minas pode fazer a diferença. Mas ambos ainda buscam os nomes para representá-los como candidatos a governador no segundo maior colégio eleitoral do Brasil.
Lula tem um favorito, o senador Rodrigo Pacheco (PSD), mas precisa convencer o parlamentar a aceitar a missão. E isso envolve uma complexa costura política a nível nacional. Pacheco não poderá concorrer pelo PSD, que já trabalha a pré-candidatura de Mateus Simões, vice de Romeu Zema (Novo) no governo, para disputar o cargo.
As opções para Lula e Pacheco seriam o MDB ou o União Brasil, mas ambas as siglas têm poderosas alas que são oposição ao petista. O que Pacheco espera de Lula é que ele convença um desses partidos a não entrar oficialmente na candidatura de Flávio para assim possibilitar um palanque para o petista em Minas.
A questão ganhou urgência para Lula porque o plano B do PT, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, não terá clima para abandonar no meio o mandato em uma cidade que precisa ser reconstruída após o desastre das chuvas.
Lula e Flávio Bolsonaro colados nas pesquisas
- A liderança que Lula (PT) vinha mantendo nas pesquisas foi desafiada com a consolidação da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
- Em simulações da AtlasIntel e da Paraná Pesquisas divulgadas nos últimos dias, Flávio chega a aparecer numericamente à frente de Lula em simulações de segundo turno.
- Os números preocuparam a pré-campanha de Lula, que passou a focar com mais força nas articulações em Minas. Para o PT, ter um palanque forte num estado que já é governado pela oposição é fundamental.
- Já o PL de Flávio busca uma maneira de formar um palanque forte e confiável em Minas. O que atrapalha até agora são as várias pré-candidaturas de direita e a resistência de Romeu Zema de abrir mão de também disputar a Presidência da República.
Flávio e o PL também buscam uma solução
Em princípio, a campanha de Flávio Bolsonaro teria mais facilidade para buscar aliados e palanques em Minas, já que há uma série de pré-candidaturas da direita. Mas a a situação não é tão simples.
Pré-candidato da situação, Mateus Simões não poderia dar palanque oficial a Flávio porque Zema também é pré-candidato ao Planalto. Uma das estratégias do PL é convencer Zema a desistir da candidatura à presidência e assim formar uma chapa bolsonarista em Minas, mas o mineiro tem resistido.
Nesta semana, o Republicanos reforçou que pretende lançar o senador Cleitinho para o governo de Minas. Ele pontua bem em pesquisas e também tem alguma proximidade com o grupo político de Flávio, sendo outra opção para o PL.
O partido presidido por Valdemar Costa Neto, porém, também tem na mesa a ideia de uma candidatura própria para garantir palanque seguro a Flávio. Nesse caso, o nome mais falado é o do atual presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.
O presidente do PL em Minas, deputado federal Domingos Sávio, afirmou ao Metrópoles que a legenda dialoga com siglas de direita e centro-direita para construir uma aliança que assegure um palanque sólido a Flávio, mas reforçou que a definição passará pelo aval do senador, do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), e das principais lideranças do bolsonarismo no estado.
“Teremos candidato ao Senado do PL em Minas e poderemos compor para o governo do estado, garantindo apoio a Flávio Bolsonaro, mas também poderemos ter candidatura própria. O PL de Minas vai apoiar aquele que tiver o apoio de Nikolas e Flávio Bolsonaro”, disse Domingos Sávio.
Zema e o rearranjo do tabuleiro
Apesar de o governador não abrir espaço publicamente para o debate, o cientista político André César avalia que a movimentação de Zema aponta mais para uma eventual candidatura ao Senado do que à Presidência da República. “Ele está levantando o preço, mas deve disputar uma das duas vagas ao Senado, onde teria boa chance de eleição”, avaliou o especialista.
Caso esse desenho se confirme, o tabuleiro mineiro pode ser redesenhado, abrindo espaço para novas composições entre PL e PSD — ou intensificando a disputa por um palanque próprio no estado.
Aproximação estratégica
Ao longo de fevereiro, Mateus Simões e Nikolas Ferreira participaram de agendas conjuntas, como em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. A aproximação passou a ser interpretada como tentativa de diálogo político. Ainda assim, há receio entre aliados bolsonaristas de que eventual alinhamento com Simões represente apoio apenas indireto a um projeto nacional de Flávio Bolsonaro.
A cautela também é influenciada pelo histórico recente. Em 2022, Zema declarou apoio a Jair Bolsonaro (PL) apenas no segundo turno da disputa presidencial. No primeiro turno, manteve postura mais distante, o que, na avaliação de aliados do ex-presidente, dificultou a consolidação antecipada de um palanque no estado. Na ocasião, Bolsonaro acabou derrotado por Lula em Minas — resultado que segue como referência nas decisões estratégicas da direita mineira.














